Comemoração dos 100 anos Armistício da Primeira Guerra Mundial

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Fernando Liberato – Publicado a 05/11/2018

 

Foi um dos maiores desfiles de que há memória em Portugal para assinalar o centenário do armistício que pôs fim à Primeira-Guerra Mundial. Decorreu esta manhã na Avenida da Liberdade em Lisboa

Lisboa viveu hoje uma das maiores paradas militares de que há memória para assinalar os 100 anos da assinatura do armistício que, em 1918, pôs fim à Primeira Guerra Mundial. O acontecimento, com a presença de Marcelo Rebelo de Sousa como chefe supremo das Forças Armadas, contou com a presença das principais figuras do Estado e das Forças Armadas e decorreu durante a manhã na Avenida da Liberdade em Lisboa.

Marcelo Rebelo de Sousa, António Costa e Eduardo Ferro Rodrigues prestaram homenagem os soldados portugueses que perderam a vida no conflito colocando uma coroa de flores no Monumento de Homenagem aos Mortos da Primeira Grande Guerra.

INFOGRAFIA: COMEMORAÇÕES DO ARMISTÍCIO | Exército Português

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FOTOGRAFIAS:
Miguel A. Lopes
Retiradas de: Expresso – 04.11.2018 às 13h48

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Procissão dos Artilheiros 2015

 

Procissão em Honra de Nossa Senhora da Saúde – (2015)
A Real Irmandade da Nossa Senhora da Saúde e S. Sebastião realizou as tradicionais cerimónias em Honra da sua Padroeira, terminando com a centenária “Procissão de Nossa Senhora da Saúde”, também conhecida por “Procissão dos Artilheiros” em 10Mai2015, em Lisboa.

procissão 2015

“Também conhecida como “Procissão dos Artilheiros”, a procissão em honra de Nossa Senhora da Saúde, em pleno coração da cidade de Lisboa, remonta ao século XVI, altura em que, no reinado de D. Sebastião (1569), se declarou uma das mais catastróficasepidemias registadas no País, a Peste Grande, que dizimou 60.000 habitantes de Lisboa, onde chegaram a morrer 600 pessoas diariamente.

Em cumprimento de uma promessa de que erigiriam uma capela se os restantes vivos fossem poupados à morte, os artilheiros, aquartelados no Castelo de S. Jorge, assim fizeram e a capela foi construída, tendo resistido à passagem dos séculos, ao terramoto de 1755 e a outros abalos sísmicos.

Mas, se ao tempo e aos cataclismos tem resistido o pequeno santuário, já não se dirá o mesmo dos efeitos provocados pelas obras do Metro e pela construção, na década de 80, do centro comercial que lhe fica adjacente.

A Real Irmandade de N. Senhora da Saúde e S. Sebastião realizou a tradicional e centenária Procissão de Nossa Senhora da Saúde, tendo solicitado o apoio e a representação das Forças Armadas, com bandas militares e outras formações militares, nas Cerimónias ligadas a esta Procissão.

A Procissão, que recai num domingo, é composta por diferentes secções, cada uma com a sua imagem e que passam da seguinte ordem: Santa Bárbara, Santo António, São Sebastião e Nossa Senhora da Saúde.

Após sair da Capela, percorre normalmente as Ruas da Mouraria e do Bemformoso, Largo do Intendente, Pina Manique, Travessa do Cidadão Gonçalves, Avenida Almirante Reis, Rua da Palma, Largo Martim Moniz, Rua D. Duarte, Praça da Figueira, Rua dos Condes de Monsanto, Poço do Borratém, Rua do Arco do Marquês do Alegrete e acaba no Largo Martim Moniz.

Esta Procissão, uma das mais genuínas e antigas da cidade, é uma grande manifestação de fé, e incorpora muitos representantes de diversas irmandades e ordens religiosas de Lisboa. Constitui um momento único na vida religiosa da capital, com as janelas e varandas engalanadas de colchas.

Militares uniformizados de todos os ramos das Forças Armadas e das forças de segurança, Guarda Nacional Republicana, assim como o Regimento de Sapadores Bombeiros incorporaram esta manifestação de fé e as bandas militares vieram na cauda da procissão, executando alternadamente trechos musicais.

GALERIA DE FOTOS:
Para visualizar em modo Slide-show, clique numa fotografia.
Todas as fotografias foram captadas com Smartphone, podendo ser a qualidade de algumas das imagens, não conter a qualidade pretendida.
Fotografias: Nuno Chaves para: Unidades do Exército Português (2015)

ARTIGO EM ACTUALIZAÇÃO

Da Complementaridade Cromática ao Contraste Luminoso

Se existe pessoa que me tem demonstrado amizade e uma paciência imensa, essa pessoa é o Tenente-Coronel José Manuel Pedroso da Silva, que muito tem contribuído para que esta página continue a crescer.
Chefe do Gabinete de Heráldica entre 1993 e 2010, criou para o Exército Português um vasto e riquíssimo Armorial (que poderão apreciar Aqui) que esta página tem vindo a divulgar e (de certa forma) homenagear.
Ao Tenente Coronel Pedroso da Silva, pelo seu talento, generosidade o meu obrigado.

Partilho convosco um apontamento sobre os “Laços de finalistas do Curso de Óptica e Electromecânica de Precisão” um texto genuíno e engraçado que vale a pena ser partilhado, lido e aproveitado.
Da autoria de José Manuel Pedroso da Silva que amavelmente me permitiu que o publicasse aqui na Página.

pedroso da silva

DA COMPLEMENTARIDADE CROMÁTICA AO CONTRASTE LUMINOSO
José Manuel Pedroso da Silva – 19570414

pedroso da silva.  01«Da complementaridade cromática ao contraste luminoso» [um apontamento sobre os laços de finalistas do Curso de Ótica e Electromecânica de Precisão – criado em 1948, pelo decreto-lei n.º 37:136 de 5 de novembro – e do que lhe sucedeu, o Curso Técnico de Instrumentos (Medida e Observação) – criado em 1959, pelo decreto-lei n.º 42 632 de 4 de novembro] – 100 anos – 100 escritos, Associação dos Pupilos do Exército, Lisboa, novembro de 2011, DEP. LEGAL: 335708/11, pp. 136 a 138.

Estávamos no ano letivo de 1964/1965. Ao princípio da tarde de uma quarta-feira, os altifalantes soaram por toda a primeira secção:
– Alunos números 10 e 414 devem comparecer no Corpo de Alunos; devem comparecer no Corpo de Alunos, os alunos números 10 e 414.
– Os nossos rostos, instantaneamente, ficaram imóveis ao mesmo tempo que mentalmente formulávamos a óbvia pergunta: – qual será o motivo que, desta vez, nos faz ser «merecedores de tal distinção».
– De facto, ser-se chamado ao Corpo de Alunos era coisa que não acontecia todos os dias. Podia ser mau presságio. Também se podia ser lá chamado, apenas para abrir, na presença do comandante do Corpo de Alunos, a carta recebida da sueca ou da finlandesa (as cartas provenientes do território nacional eram distribuídas normalmente pelo aluno de dia). Era pouco provável, todavia, que a nossa ida ao Corpo de Alunos estivesse relacionada com alguma daquelas cartas que, vinda de paragens mais frias, tornava a alma mais quente.

Bem, quanto mais depressa fôssemos, mais depressa ficávamos a saber o que se estava a passar. Com a energia dos 17 anos, impelida pela expectativa, atravessámos a parada, virámos para os claustros e seguimos em direção a um jardim que havia para lá das salas de estudo das duas companhias dos mais novos. Depois de subirmos aquela meia dúzia de degraus, apresentámo-nos ao Major Cunha, comandante do Corpo de Alunos.

Recordo-o como um conversador muito afável. Sabia que lhe chamávamos «Omo» e ficava visivelmente deliciado quando nos contava a origem de tão peculiar alcunha que lembrava a marca de um detergente em pó muito conhecido na época:  no regresso de uma comissão ao ultramar apresentara–se com a tez bastante escura, mas esse «bronze» africano não durou mais de duas semanas o que levou a malta a concluir, com o habitual espírito brincalhão: – o nosso major, lavou-se com omo! – Fora também nosso professor de Ciências Naturais, uns dois anos antes. Aí, evidenciara a excelência das suas qualidades pedagógicas, sempre reforçadas por gestos rasgados e exuberantes. Ainda recordo as voltas que deu à sala de aula quando nos explicou o aparelho digestivo da minhoca.

– Vocês são do Curso de Instrumentos, não são?

– Depois de o confirmarmos, prosseguiu: – mandei-vos chamar porque é necessário escolher as cores da fita para o vosso laço de finalistas.

– Mas, meu major, o nosso curso já tem um laço.

– Estão a referir-se a este – e apontou-nos um laço púrpura e ouro que tinha em cima da secretária – mas têm de escolher outro. Este era do antigo Curso Médio de Máquinas. Quando foi extinto, o Curso de Ótica passou a usá-lo. Como para o próximo ano letivo já há finalistas do (novo) Curso Médio de Eletrotecnia e Máquinas, recuperado pela reforma de 59, são eles que vão usar este laço. – Mas, meu major, os finalistas de Ótica sempre o usaram.

pedroso da silva

– Está bem, eu sei, mas os finalistas de Máquinas usaram-no anteriormente. Por isso, vocês é que têm de mudar. Há casas de artigos militares na baixa. Tomem lá o dinheiro para o elétrico e vão escolher a fita. Quando regressarem venham falar comigo.

– Lá saímos, cada um com dois escudos no bolso (hoje, andar de elétrico é muito mais caro), e um certo desconsolo no espírito motivado por três questões:

  • Uma, a da estabilidade. Embora tivéssemos sabido naquele momento que o laço pertencera, num passado para nós desconhecido, a outro curso, sempre nos habituámos a ver os estagiários dos Cursos de Ótica com ele: Guilherme Marques Guedes (19450163), Alfredo Maria Pedroso Ferreira Barros (19460055), João Francisco Pinheiro Salvador (19470150), Fernando António Caldeira Real (19470237), Rui Jorge Martins da Silva (19470327), Fernando Neto Rosa (19470349), Vítor Manuel Sousa Cabral Bastos (19480367), Nelson da Silva Pereira (19480371), Artur Fernando Teles (19490023), Licínio da Conceição Granada (19490154), António Elvira Borralho (19490302), José Reis Terras (19510129), Amílcar Gonçalves Friande (19510330), João Jorge Lopes da Silva (19520091), Fernando João Lameiras Pereira da Silva (19520102), Humberto Franklin Henriques Moita (19530032), José Ameixeira dos Santos (19540215), Constantino Tavares Gonçalves de Almeida (19540233), Francisco Diogo Pedro Simão (19550104), Manuel de Jesus Vaz Palma (19550335) e Samuel Conceição Batista Miranda (19560411).
  • Outra, a do significado: se a disciplina mais importante do nosso curso é a Ótica, ou seja, o estudo da luz (e consequentemente, da cor) esta associação cromática evidencia um grande contraste, já que a púrpura (cor que na Heráldicaatual se convencionou ser o violeta do espetro) e o amarelo (cor que normalmente nos tecidos, substitui o ouro) são complementares.
  • Outra ainda, a do efeito estético. A presença do ouro, dava-lhe um tom invulgar, já que, de todos os laços de finalistas, era o único que usava este metal (as fitas dos outros cursos tinham a seguinte constituição cromática: Curso Médio de Contabilistas, azul e vermelho; Curso Técnico de Electrónica, azul e prata; Curso Técnico de Viaturas, vermelho e prata; e Curso Geral de Comércio, verde e prata). A sua ligação à púrpura, por seu turno, era particularmente vistosa, distinta e chamativa. Gostávamos muito do laço e já imaginávamos que daí por dois anos, o iríamos ostentar, orgulhosamente.

Entendida a necessidade da mudança, havia que vestir a farda de saída, levantar o cartão no gabinete do oficial de dia, ir até à Estrada de Benfica e esperar o elétrico para os Restauradores.

As ideias não paravam de nos bailar na cabeça e mesmo ainda antes de vermos, na loja, aquilo que os fabricantes produziam, já começava a ganhar certa consistência, o que iríamos escolher.

As outras bicromias complementares – azul e laranja; vermelho e verde – não mereceram a nossa simpatia. A associação do azul ao laranja pode ser agradável à vista, mas cada uma destas cores é pouco recomendável: o azul tem pouca visibilidade sobre a farda, também ela azul e o laranja é uma cor tão garrida que raríssimas vezes tem sido usada nos sistemas emblemáticos. Juntar o verde ao vermelho não melhoraria as coisas: seria incongruente por tratar-se das cores da bandeira nacional. O próprio Instituto poderia não aceitar essa eventual proposta da nossa parte. Não fazia sentido que, num conjunto de seis cursos, um deles usasse as cores da nossa bandeira quando, afinal de contas, os outros eram igualmente portugueses.

A solução parecia estar na fita de uma condecoração criada para comemorar a vitória aliada na Grande Guerra. Devido à multiplicidade de países intervenientes neste conflito, a fita reproduzia todo o espetro solar visível. Com esta ideia bem alicerçada, entrámos numa casa comercial (que ainda hoje existe) e dissemos:

– Nós viemos escolher as cores para um novo laço dos finalistas e gostávamos que nos mostrasse a fita da medalha da vitória. – Não precisámos de dizer que éramos dos Pupilos: a inconfundível farda dizia-o por nós.

– Muito bem, ela aqui está, mas temo que não seja a apropriada. – Porquê? – Porque tem 38 milímetros de largura: é portanto muito mais larga que as fitas das condecorações nacionais que têm, todas elas, 30.

pedroso da silva

– O Eugénio e eu olhámo-nos com natural deceção. A fita era muito vistosa e coadunava-se perfeitamente com o curso, já que se via por ela, aquilo que 300 anos antes, Isaac Newton, tinha visto pelo seu prisma que, com riscas de Fraunhofer e tudo, era responsável por tantas dores de cabeça nas aulas do «Bolacha» e, posteriormente do Jacket.

– Que pena ser tão larga, – lamentámos.
– Se o laço antigo, que apostava no contraste de duas cores complemen-tares, vai ser devolvido aos primitivos «donos» e se esta fita, que decompõe a luz branca, está posta de parte, devido à dimensão, o que vamos fazer agora? – interrogámo-nos.

Por uns momentos, os nossos cérebros, tentavam encontrar uma resposta. A concentração era total, sobre aquela vitrina com largas dezenas de fitas multicoloridas. Não ousávamos, sequer, olhar em sentido contrário para as miúdas que, descontraidamente atravessavam a rua Barros Queiroz, mesmo sabendo que a vivacidade e leveza dos seus vestidos, podia inspirar-nos… e nisto, – tlim!
– Quase em uníssono, as nossas «campainhas» tangeram como que a anunciar que a escolha estava feita:
– No estudo da Ótica, luz e cor andam «de mãos dadas», é verdade, mas até agora, a vivacidade cromática do laço, parece ter-se esquecido do contraste luminoso entre um tom claro e um tom escuro. É altura de enfatizar esse contraste – Perante o mostruário existente, não tivemos dúvidas em escolher uma fita negra sulcada por uma faixa de ouro. Estava assegurado, não só o contraste luminoso como a presença do nobre metal, trazida do laço anterior. Viemos depois a saber que esta fita é a que usa uma Ordem Honorífica Portuguesa: a Ordem da Benemerência, hoje designada por Ordem do Mérito.

pedroso da silva

Foi assim que nasceu o laço que viria a ser usado por cinco alunos, até à extinção dos cursos técnicos: João Eugénio Quintela Leitão (19600010), João Luís da Fonseca Nabais (19600207), Abílio Marques Cardoso (19600285), Augusto dos Santos Macias (19620338) e este vosso amigo.

No curso seguinte, ainda houve tentativas, infrutíferas, é claro, para recuperar o laço púrpura e ouro. A uma distância de mais de quarenta anos, um Pilão desse curso confessou-me que no ano do nosso estágio «a malta gozava com o laço», mas reconhece que «era bonito e diferente de todos», acrescentando que «as garotas gostavam, e isso era o que interessava na altura».

Pedroso da Silva

Pedroso da SilvaEis uma história que poderia ter sido igual a tantas outras que vivi durante a década, de 1957 a 1967, n’ «Esta Casa tão bela e tão ridente». Quero acreditar, contudo, que não foi. Pelo menos tenho perguntado a mim próprio se este mero episódio não me fez despertar a curiosidade para as áreas da Heráldica e da Falerística que, num período muito mais recente, me preencheram integralmente os últimos dezoito anos ao serviço do Exército.

Agradecimentos:
Quero expressar a minha gratidão àqueles que, por diversas formas, possibilitaram a feitura deste apontamento. Embora correndo o risco, sempre desagradável, de cometer qualquer omissão involuntária, permitam-me que referencie individualmente:

Piedade Braga, Fernando Antunes (Casa Bastão), 19510321, José Franco Leandro; 19570119, Fernando Alegria da Mota; 19600093, António Ribeiro da Silva; 19600207, João Luís da Fonseca Nabais; 19610131, António José Borralho Estevéns; e 19810132, Rui Ventura dos Santos Vargas.

 Nota:
Este texto, após a sua publicação foi adaptado à norma europeia da língua portuguesa constante do acordo ortográfico da língua portuguesa, assinado em Lisboa a 16 de dezembro de 1990 e em vigor desde 1 de janeiro de 2010.

Os Regimentos de Cavalaria

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O termo “terço”, já em 1571 tinha um significado análogo a Regimento, como refere Christovam Ayres, na História da Cavalaria Portuguesa. Na verdade esta denominação começa a aparecer na legislação portuguesa em 1632, período do domínio espanhol. Deste modo, em 1707, a Cavalaria Ligeira e os Dragões passaram, em Portugal, a constituir Regimentos de 12 Companhias, como refere o mesmo autor.

Em 1715 a Cavalaria Portuguesa estava organizada em dez Regimentos.

A organização de 19 de Maio de 1806, consequência da derrota de 1801 frente à Espanha e que levou à assinatura da Paz de Badajoz, introduziu várias alterações, aparecendo pela primeira vez a numeração dos Regimentos. A Arma de Cavalaria passa a contar com doze Regimentos numerados de 1 a 12 e repartidos pelas Divisões Norte, Centro e Sul.

rc 6Em Novembro de 1807, Andoche Junot invade Portugal. O Exército é completamente desarmado e a Arma de Cavalaria é reduzida a três Regimentos. A reacção dos portugueses não se fez esperar. A revolta iniciada no Porto alastra rapidamente a todo o Reino. A Junta Provisional do Governo Supremo, formada nesta cidade, determina em 20 de Julho de 1808, que os oficiais e soldados, que não se encontrem legitimamente ocupados, se reunam às Unidades a que pertenciam.

Esta reorganização não originou novos Regimentos, dando, isso sim, continuidade aos existentes antes da invasão de Junot.

A Napoleão não agrada esta situação e, mais uma vez, invade Portugal com uma força sob o comando de Soult, que não obtém sucesso frente às tropas anglo-lusas.

Pela terceira vez, Napoleão tenta conquistar Portugal enviando, em 1810, cerca de 70.000 homens sob o comando de Massena.

A reacção das tropas anglo-lusas faz-se sentir logo no Buçaco, mas Massena, só ao fim de cinco meses de combates é que inicia a retirada, perseguido até Toulouse pelas tropas anglo-lusas, das quais fez parte uma Brigada de Cavalaria composta pelos Regimentos n.º 1, 6, 11 e 12.

Resolvida a questão com os franceses, era necessário reorganizar o Exército, o que vai suceder com o Alvará Régio, dado no Palácio do Rio de Janeiro em 29 de Fevereiro de 1816. Deste modo, a Arma de Cavalaria passa a ser composta por 12 Regimentos, sendo propostos para os Regimentos nº 6, 9 e 12 os Quartéis em Monção, Chaves e Bragança respectivamente, conforme a Ordem do Dia de 21 de Outubro de 1816.

O descontentamento contra a regência inglesa vai aumentando, e forma-se a Junta Provisional do Governo Supremo do Reino, que acaba com ela e com o governo absoluto, organizando, provisoriamente, várias Brigadas do Exército.

regimento de lanceirosA 6ª Brigada de Cavalaria é formada pelos Regimentos nºs 6 e 12 e comandada pelo Brigadeiro António Carlos Cary.

D. Miguel, confiante na sua popularidade, reúne em Vila Franca de Xira as tropas que lhe são afectas e proclama o regime absoluto em Maio de 1823, dando origem a um movimento que veio a ficar conhecido por “Vila Francada”.

D. João VI adere a este movimento, abole a Constituição de 1822 e nomeia D. Miguel General Comandante do Exército.

As ambições de D. Miguel não são satisfeitas com esta nomeação. Em 30 de Abril de 1824, leva a efeito uma acção, conhecida por Abrilada, contra seu pai no intuito de o obrigar a abdicar em seu favor e que não surtiu efeito porque D. João VI contou com a ajuda dos ingleses. Como consequência deste acto, D. Miguel é demitido do Comando do Exército e expulso de Portugal.

Com a morte de D. João VI em 1826, levanta-se o problema da sucessão. D. Miguel regressa a Portugal em 22 de Fevereiro de 1828 e formam-se dois grupos distintos, com interesses bastante diversos. Por um lado os absolutistas, apoiantes de D. Miguel e, por outro, os liberais defensores de D. Pedro.

A situação torna-se cada vez mais complexa e a divisão dos portugueses atinge o próprio Exército.

Por uma comunicação da “Junta Provisória”, encarregada de manter a legítima Autoridade de El-Rei o Senhor D. Pedro IV, feita ao Exército, pela Ordem do Dia n.º 5 de Maio de 1828, podemos constatar que, dos Regimentos de Cavalaria existentes, só os Regimentos nºs 6,9,10,11 e 12 é que tributam obediência a esta Junta.

Em 29 de Maio de 1828, o Exército Liberal conta com uma Brigada de Cavalaria, composta pelos Regimentos nºs 6,9,10 e 12 sob o comando do Coronel de Cavalaria, José António da Silva Torres, mas, logo no ano seguinte, a situação foi alterada.

Pela Ordem do Dia n.º 58 de D. Miguel, é declarado que as forças que tomaram parte na rebelião contra o seu governo se considerassem extintas e que as restantes forças deixassem de ser designados por números, passando a ter o nome das terras onde se encontram sediadas.

RC3No ponto sétimo desta Ordem, D. Miguel ordena que, com os contingentes dos extintos Regimentos de Cavalaria 6,9 e 12, da província de Trás-os-Montes, se forme um Regimento denominado de Regimento de Cavalaria de Chaves.

A alteração da denominação das diversas Unidades não foi efectuada, uma vez que faltou publicar a Ordem indicando os Quartéis permanentes que elas deveriam ocupar, conforme a Ordem do Dia n.º 59 de 19 de Agosto de 1829.

Todavia, pela Ordem do Dia nº 42 de D. Miguel, verificamos que os Regimentos de Cavalaria são designados por números, excepto o Regimento de Cavalaria de Chaves.

O Exército liberal, com o apoio do monarca D. Pedro, adquire cada vez mais força. Assim, por Decreto de 28 de Fevereiro de 1834 é reorganizado, na cidade do Porto, o Regimento de Cavalaria nº 6 que recebe os homens, materiais e animais existentes no Depósito desta cidade. Neste Depósito, estavam colocados todos os militares apoiantes dos liberais que deixaram os seus Regimentos afectos a D. Miguel. Desta forma, os liberais, que possuíam os Regimentos de Cavalaria 10 e 11, aumentam a sua força com mais dois Regimentos, o nº 1 em Lisboa e o nº 6 no Porto.

D. Miguel, depois de duas derrotas sucessivas, em Almoster, a 12 de Fevereiro de 1834, e em Asseiceira, a 16 de Maio de 1834, depõe as armas e assina a Convenção de Évora Monte, em 26 de Maio de 1834, pondo-se fim à Guerra Civil.

Dado que a última Organização do Exército comportava poucas vantagens, surge uma nova Reorganização, em 1837, mais ponderada e mais condizente com a realidade nacional. A Arma de Cavalaria passa a ser composta por oito Regimentos a três Esquadrões, sendo quatro de Lanceiros e quatro de Caçadores. Os Regimentos de Cavalaria nºs 2,4 e 6 vão fornecer os Esquadrões necessários para a formação do n.º 8.

Em 1868, a Arma de Cavalaria passa a ser composta por sete Regimentos, sendo dois de Lanceiros e cinco de Caçadores. Estes Regimentos serão a três ou a quatro Esquadrões.

No ano seguinte, a Ordem do Exército nº 49 de 6 de Outubro de 1869 cria novamente o Regimento de Cavalaria nº 7 com os Esquadrões que tinha em 1868.

Alguns anos depois, o Exército vai sofrer nova reorganização. Assim, por decreto de 1884, a Arma de Cavalaria passa a ser constituída por dez Regimentos, sendo cada um a quatro Esquadrões, três activos e um de reserva.

Com a viragem do século, o Exército é alvo de uma nova Reorganização. Em 1911, para dar cumprimento ao disposto no Decreto de 11 de Junho, o Ministro da Guerra leva a efeito algumas alterações no Exército, que constam da OE nº 14 – 1ª Série de 30 de Junho. No que concerne à Arma de Cavalaria, os Regimentos vão sofrer algumas alterações na sua composição.

rc4Durante o ano de 1926, devido às mudanças políticas operadas em Portugal, o Exército torna a ser novamente remodelado. Mais uma vez, a Arma de Cavalaria sofre algumas alterações. Organizam-se duas Brigadas de Cavalaria a três Regimentos conforme a OE nº 10 – 1ª Série de 31 de Agosto de 1926. Mas, a condicionante económica vai interferir novamente na vida do Exército Português. Assim, em 1927 são supridas algumas Unidades de várias Armas e Serviços (OE nº 7 – 1ª Série de 30 de Junho de 1927).

Durante o período correspondente ao Estado Novo não se verificam alterações de monta na organização e localização dos regimentos.

Em 1974, a Revolução de 25 de Abril, vai provocar grandes transformações na vida dos portugueses. O Exército, como não podia deixar de ser, vai ser remodelado. O decreto-lei nº 181/77 de 4 de Maio (OE nº 5 – 1ª Série de 31 de Maio de 1977) considera que a sua remodelação tem por objectivo fundamental torná-lo numa força eficiente e apta para desempenhar a sua missão, tendo em conta as capacidades económicas do País.

A inserção de Portugal na Comunidade Europeia; a constatação de que segurança passou a ser, e tende cada vez mais a ser, uma acção colectiva, aliada ao facto da esmagadora maioria dos Exércitos dos Países Europeus procurarem reduzir os seus efectivos, deram origem a que, através do decreto-lei nº 50/93 de 28 de Fevereiro, o Exército sofresse nova reorganização. Esta reorganização visava conferir versatilidade, modernidade e capacidade de resposta eficiente às missões que lhe estão cometidas e foram norteadas pela racionalização, economia e maior rentabilidade dos meios existentes. O Exército, através das actividades de recrutamento, instrução e treino, constitui um corpo gerador de forças que, sem prejuízo da manutenção de um sistema permanente de reduzida dimensão, possuirá grande mobilidade, prontidão e flexibilidade, capaz de crescer por mobilização. No que se refere às unidades de Cavalaria, apesar da redução de algumas unidades, a implantação territorial não sofreu alterações significativas.