Destacamento do Forte do Alto do Duque

alto do forte do duque

ARMORIAL: JORGE GUERREIRO VICENTE
ILUMINURA:
PUBLICAÇÃO DAS ARMAS: “Portaria”, 1987, Outubro, 2 in OE, 1988, 1.ª série, n.º 2, pp. 70-73.

ARMAS:
ESCUDO: de vermelho calçado de prata carregado de uma torre quadrada do mesmo.
ELMO: militar de prata, forrado de vermelho, a três quartos para a dextra
CORREIA: de vermelho perfilada de ouro
PAQUIFE E VIROL: de vermelho e de prata
TIMBRE: um grou de negro, bicado, barbado, coroado, animado e sancado de vermelho, a sua vigilância de prata.
DIVISA: num listel de prata, ondulado, sotoposto ao escudo, em letras de negro, maiúsculas, de estilo elzevir:
“ALERTA ESTÁ”

SIMBOLOGIA:
A TORRE invoca o velho Forte, atalaia secular de eventuais movimentos inimigos na massa argêntea do rio – A PRATA –  pronto a desencadear o seu fogo – o VERMELHO sobre a ameaça marítima à cidade.
O GROU, símbolo lendário de vigilância, recorda que se na hora do combate são a coragem e a força os factores determinantes, o êxito assenta inicialmente no alerta atempado que informa o defensor que o momento da luta chegou.
A divisa “ALERTA ESTÁ” proclama a prontidão permanente do forte no cumprir das responsabilidades que lhe incumbem no conjunto da defesa

SIGNIFICADO DOS ESMALTES:
A PRATA: a humildade de quem faz da atenção a base do cumprir
VERMELHO: a resolução de actuar no exacto momento
NEGRO: o senso de julgar correctamente a decisão a tomar

FORTE DO ALTO DO DUQUE

destacamento do forte do alto do duque

SÍNTESE:

O “Forte do Alto do Duque”, oficialmente denominado como “Prédio Militar n.º 31/Lisboa”, localiza-se na freguesia de Santa Maria de Belém, concelho e distrito de Lisboa, em Portugal.

Construído entre 1875 e 1890, o edifício do forte fazia parte do sistema defensivo de Monsanto, que incluía também o Forte do Bom Sucesso. Serviu de base para um destacamento militar com o mesmo nome, criado já em 1932, e foi utilizado efectivamente em 1936, no combate com artilharia aos navios portugueses apoiantes das forças republicanas espanholas, na Guerra Civil de Espanha. O forte é de planta pentagonal irregular, e está enterrado, ficando ao nível da cota do terreno. Inclui um fosso, edifício da caserna independente, e uma construção de planta centralizada no interior, com cisterna de abóbada tornejante

Situado sobre uma elevação com domínio sobre a baixa de Algés e a barra do rio Tejo, no extremo sudoeste do Parque Florestal de Monsanto, integrava o denominado Campo Entrincheirado de Monsanto, constituído pelo Reduto Central de Monsanto, o de Montes Claros e os fortes do Alto do Duque e do Bom Sucesso. Integrava-se na linha de defesa da capital, tendo como missão principal interditar a passagem pela barra do Tejo e, acessoriamente, impedir o acesso a montante da linha Belém-Trafaria.

Destacamento do Forte do Alto do Duque

O FORTE DO ALTO DO DUQUE
por: Carlos Luís M. C. da Cruz.
(Via: Fortalezas.Org)

História:

Foi principiado em 1875, em terrenos que faziam parte da quinta do duque de Cadaval, com os trabalhos a cargo do capitão Jacinto Parreira. Até 1879 tinham-se gasto na construção em curso 62.660$18 reis. Foi concluído em 1890, tendo os custos ascendido a 101.840$18 reis.

Aqui teve lugar, a 17 de abril de 1901, a ligação pioneira de TSF no país (após as experiências iniciais realizadas no Quartel dos 4 Caminhos e zona envolvente, no mês anterior), efetuada pelo capitão Severo da Cunha do Regimento de Engenharia, utilizando equipamento francês Ducretet. A estação emissora, no Forte do Alto do Duque, estava sob o comando do tenente Salvador Correia de Sá, tendo como operador o sargento Silva, e a estação receptora, instalada na Bateria da Raposeira, na Trafaria, margem sul do Tejo, a uma distância de 4.300 metros, sob o comando do tenente Pedro Álvares, tendo como operador o sargento Bagina.

Quando dos grandes surtos grevistas de 1912 Duarte Leite, então chefe do Governo e Ministro do Interior (16 de junho de 1912 – 9 de janeiro de 1913), mandou deter 584 grevistas em vários fortes da cintura de Lisboa, entre os quais os de Sacavém, Monsanto, Alto do Duque e o Quartel do Carmo.

Em 1932 serviu de base a um destacamento militar com o mesmo nome – Destacamento do Forte do Alto do Duque -, unidade militar da confiança do regime, denominada de Ordem Pública.

Em 8 de setembro de 1936 abriu fogo sobre as embarcações que tomaram parte na Revolta dos Marinheiros – contratorpedeiro NRP Dão e avisos NRP Bartolomeu Dias e NRP Afonso de Albuquerque, que tentaram sair do Tejo para apoiar as forças republicanas espanholas durante a Guerra Civil Espanhola (1936-1939).

A seguir à Revolução dos Cravos (Abril de 1974) serviu de quartel-general ao Copcon – Comando Operacional do Continente.

Na década de 1990 nele se instalou, durante algum tempo, o quartel-general do Comando Operacional das Forças Terrestres.

Encontra-se classificado como Monumento de Interesse Público, com ZEP definida, pela Portaria n.º 740-DL/2012, publicada no Diário da República, II Série, n.º 248 (suplemento), de 24 de dezembro.

Atualmente é a sede do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED).

Características

Exemplar de arquitetura militar, de enquadramento urbano, isolado, na cota de 75 metros acima do nível do mar.

De planta pentagonal irregular, apresenta uma volumetria escalonada, exibindo reduto central com cobertura efetuada em cúpula hemisférica O forte, totalmente enterrado ao nível da cota do terreno, é constituído por dois corpos separados por um fosso de seção retangular, intercomunicantes a sul por uma ponte em madeira. No lado oeste localiza-se, no corpo exterior, a caserna do forte. Composta por dois níveis, apresenta pano de muro regularmente ritmado pela existência de respiradouros e abertura de vãos, alternando portas e janelas de peito, ambas de verga triangular. Do lado interior do fosso, distribuem-se pequenos edifícios de apoio, criando ao mesmo tempo uma barreira. Também separado por fosso, acede-se ao interior do reduto central, através de passadiço conducente à única porta existente na construção (a sudeste), para esse efeito. De planta circular, este corpo apresenta duas entidades espaciais, designadamente, uma cisterna, ao centro, e que ocupa quase toda a área do mesmo, e uma zona de compartimentos, em torno da mesma: a cisterna com acesso ao nível do piso térreo, apresenta uma estrutura em cogumelo e sob a qual assenta a morfologia exterior do edifício, isto é, exibe uma coluna central a partir da qual desenvolvem paredes abobadadas. A restante área distribui-se em dois níveis, registando-se a existência de uma compartimentação orientada radialmente: servida por corredor circular com cobertura em abóbada de berço e respiradouros circulares, apresenta pano de muro em reboco pintado, com lambril de azulejos policromos, e abertura de vãos de verga curva a ritmo regular, com emolduramento em cantaria. Os dois níveis interligam-se através de escadaria e passadiço em cantaria, protegidos por guarda metálica; o passadiço é suportado por uma fieira de mísulas alinhadas.

É a única fortificação do tipo austríaco existente na península Ibérica.

Bibliografia
NÉU, João. Em Volta da Torre de Belém. Lisboa, 1994.
O Comando do Forte do Alto do Duque, Lisboa, s.d. (texto policopiado)
SANCHES, José Dias. Belém do Passado e do Presente. Lisboa, 1970.
SANCHES, José Dias. Belém e Arredores Através dos Tempos. Lisboa, 1940.

O FORTE DO ALTO DO DUQUE E O COFT

inelutavelmente ligada ao Forte do Alto do Duque. Desde os tempos em que o exercício ORION constituía o culminar da actividade de Treino Operacional do Exército, até à criação orgânica do Núcleo Permanente do COFT em 1993, foi no Forte do Alto do Duque, que se concretizaram todas as acções de planeamento daquele acontecimento anual, colocando no terreno comandos e forças de elevado escalão. Foi nessas instalações, que o COFT respondeu com prontidão às exigências de novos exercícios, de complexo planeamento e execução e ao desenvolvimento e projecção das forças, que o Exército empenhou na Bósnia-Herzegovina e no Kosovo.

O Forte do Alto do Duque, reunia teoricamente condições de segurança inexistentes noutros locais, mas, na prática, não oferecia a funcionalidade exigível a um Posto de Comando de grande dimensão. Apesar destas limitações, iniciou-se em 1994 um processo de beneficiação das infra-estruturas, no sentido de proporcionar condições mínimas ao Núcleo Permanente do COFT. As obras propostas pelo Presidente da Comissão Instaladora, proporcionaram algumas melhorias, mas não superaram, nem poderiam superar, a inadequação de um forte a um QG, não só por limitação de espaço, mas fundamentalmente por restrição a alteração profunda na sua traça, tanto ser monumento histórico.

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