Regimento de Artilharia de Lisboa

RALIS

ARMORIAL: JORGE GUERREIRO VICENTE
ILUMINURA:
Publicação das Armas: “Portaria”, 1980, Setembro, 22 in OE, 1980, 1.ª série, n.º 9, pp. 693-695.

ARMAS:
Escudo de prata, um corvo esvoaçante de negro, armado de vermelho, segurando na garra dextra uma granada de negro flamejante de vermelho. Elmo militar de prata, forrado de vermelho, a três quartos para a dextra.
Correias de vermelho perfiladas de ouro.
Paquife e virol de prata e de negro.
Timbre: duas asas de negro, cada uma carregada com três flores-de-lis de prata.
Condecoração: circundando o escudo o colar de comendador da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito.
Divisa: num listel de prata, ondulado, sotoposto ao escudo, em letras de negro, maiúsculas, de estilo elzevir:
“NÃO FALTA CERTO NOS PERIGOS”

SIMBOLOGIA:
Os ESMALTES do campo e do Corvo são os da bandeira da Cidade de Lisboa, onde o Regimento estava aquartelado.
O CORVO: é das armas da cidade de Lisboa e simboliza a perspicácia necessária ao artilheiro na colocação dos seus fogos
A GRANADA: flamejante representa a arma de Artilharia.
As ASAS: simbolizam a velocidade das granadas e a rapidez do seu apoio no combate.
As FLORES DE LIS: representam o comportamento glorioso do regimento em França, na Grande Guerra de 1914-1918

SIGNIFICADO DOS ESMALTES:
PRATA: humildade
VERMELHO: fogo, bravura e sabedoria
NEGRO: firmeza, prudência e sabedoria

 

REGIMENTO DE ARTILHARIA DE LISBOA (RALIS)

ralis

SÍNTESE:

O Regimento de Artilharia de Lisboa (RALIS), teve origem no regimento de Artilharia nº 4 de Guarnição (RA 4) em 1864 em Lisboa.
Em 1868 mudou a sua designação para Regimento de Artilharia nº 3 (RA 3) .
Entre 1877 e 1926 o RA 3, encontra-se em Santarém onde em 1877 passou a ser uma unidade de Artilharia de Campanha, tornando-se numa unidade de Artilharia Montada e 1884, novamente de Artilharia de Campanha em 1899 e por último de Artilharia Montada em 1901.

Em 1926, o RA 3 foi transferido para Lisboa. Em 1927  mudou de designação para Regimento de Artilharia Ligeira nº 3 (RAL 3) e em 1955 para Regimento de Artilharia Ligeira nº 1 (RAL 1), recebendo em 1975 a designação de Regimento de Artilharia de Lisboa (RALIS)

É Herdeiro das tradições Militares das seguintes Unidades:

  • Regimento de Artilharia nº 1 (RA 1) com origem no troço de Artilheiros/Repartição do Mar (1677-Lisboa) extinto em 1834 Forte de S. Julião da Barra.
  • Regimento de Artilharia nº 3 (RA 3) com origem nos 1º, 2º e 3º de Artilharia Liberal (1834-Porto) extinto em 1974 em Évora.
  • Regimento de Artilharia Pesada nº 1 (RAP 1) com origem no Grupo de Artilharia de Guarnição nº 6 (GAG 6) (1901-Porto), extinto em 1967 em Sacavém.

É Fiel depositário das Tradições Militares das seguintes Unidades:

  • Companhia de Artilheiros Condutores com origem no Batalhão de Artilheiros Condutores (1812) dissolvida em 1833 em Lisboa.
  • Regimento de Artilharia nº 5 (RA 5) guarnição, com origem no RA 5/Elvas e dissolvido em 1901
  • Grupo de Batarias de Artilharia a Cavalo com origem no Grupo de Batarias a Cavalo (1899-Queluz), dissolvido em 1925.

Das Unidades antecessoras com ligação a este regimento, destacaram-se:

  • O RA 1, pela sua participação nas Campanhas Peninsulares desde a Batalha do Buçaco (1810) até à de Nivelle (1813). O RA 1 participou também na Divisão Auxiliar a Espanha (1835/37) enviada para combater os Carlistas.
  • O RA 3 que durante a 1ª Guerra Mundial (1914-1918) mobilizou para França um Grupo de Batidas de Tiro Tenso; na mesma ocasião o RA 1, que mobilizou para Angola uma Bataria de Artilharia.
  • Os 1º, 2º e 5º Grupos de Batarias de Artilharia, mobilizados pelo RA 3, que combateram com bravura na Batalha de La Lys.
  • O RAL 3 que durante a 2ª Guerra Mundial mobilizou para os Açores um Grupo de Batarias de Obuses; na mesma ocasião, o RAP 1 que mobilizou uma Bataria Anti-Aérea Ligeira; e o RAL 1 que mobilizou uma Bataria de Artilharia Ligeira.
  • O RAL 1, que desde 1954 até 1960 mobilizou para o Estado da Índia três Batarias de Artilharia; na mesma ocasião, o RAL 3 mobilizou três Batarias de Artilharia
  • A Companhia de Artilharia nº 1961, mobilizada pelo RAL 1, pela sua participação na Guiné (1967/1969), nas Campanhasdo Ultramar.
  • O RAL 3, que durante a Guerra do Ultramar (1961/1974) mobilizou para:
    – Angola: 5 Batalhões de Artilharia, 20 Companhias de Artilharia, 1 Bataria e 2 Secções de Radares.
    – Guiné: 9 Companhias de Artilharia
    – Moçambique: 1 Batalhão de Artilharia, e 6 Companhias de Artilharia.
  • O RAL 1 que durante a Guerra do Ultramar mobilizou para:
    – Angola 5 Batalhões de Artilharia, 23 Companhias de Artilharia, 22 Comandos de Agrupamento, 1 Bataria, 1 Grupo de Artilharia de Campanha e 1 Companhia de Comandos.
    – Guiné: 3 Batalhões de Artilharia, 12 Companhias de Artilharia, 6 Comandos de Agrupamento e 2 companhias de Comandos.
    – Moçambique: 4 Batalhões de Artilharia, 9 Companhias de Artilharia, 21 Comandos de Agrupamento e 3 Companhias de Comandos.

CONDECORAÇÕES:

Direito Próprio:

  • Comendador da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor , Lealdade e Mérito, concedida ao 4º Grupo de Artilharia/RA 3 em 1918 em França.
  • Oficial da Ordem Militar da Torre e Espada de Valor, Lealdade e Mérito, concedida à 4ª Bataria/ 5º Grupo de Batarias de Artilharia/Regimento de Obuses de campanha em 1918 em França.
  • Cruz de Guerra de 1ª Classe, Concedida à 1ª Bataria/5º Grupo de Batarias de Artilharia/ RA 1 em 1918 em França.
  • Cruz de Guerra de 1ª Classe, concedida à 2ª Bataria/ 6º Grupo de Batarias de Artilharia/ RA 3 em 1918 em França.
  • Cruz de Guerra de 1º Classe, concedida à Companhia de Artilharia nº 1691 (RA 1) em 1964/74 na Guiné.

Por Herança:

  • Cruz de Guerra de 1ª Classe concedida à 4ª Bataria/1º Grupo/RAP 1 em 1918 em França.
  • Cruz de Guerra de 1ª Classe concedida à 5ª Bataria/1º Gupo/RAP 1 em 1918 em França.

LEGENDAS:
Por citações, louvores ou condecorações, têm atribuídas as seguintes legendas:

Direito Próprio:

  • França – 1918 (1º, 2º e 5º GBA/RA 3)
  • Guiné – 1967/1969 (CA 1691/RAL 1)

Por Herança:

  • Buçaco – 1810 (RA 1)
  • Albuera – 1811 (RA 1)
  • Badajoz – 1812 (RA 1)
  • Salamanca – 1812 (RA 1)
  • Nivelle – 1813 (RA 1)
  • Espanha – 1835/1837 (RA1)

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Em 1926, o RA 3 foi transferido para Lisboa.
Em 1927 mudou de designação para Regimento de Artilharia Ligeira nº 3 (RAL 3)
Em 1955 para Regimento de Artilharia Ligeira nº 1 (RAL 1),
Em 1975 recebe a designação de Regimento de Artilharia de Lisboa (RALIS)

Pelo Despacho nº 174/94 do Chefe do Estado Maior do Exército de 6 de Setembro, transcrito na Ordem do Exército (OE) nº 9 de 30 de Setembro de 1994, o RALIS foi extinto a 30 Junho de 1991

Nas Instalações do antigo RAL 1 e RALIS foi aquartelado em 1993 o Batalhão do Serviço de Transportes (BST) extinto em 2006.
Actualmente o Quartel tem a designação de Regimento de Transportes (RTransp) desde 2006.

11 de Março de 1975

Forças militares afectas ao general António de Spínola tentaram mudar o curso da revolução. Um avião da Força Aérea sobrevoou Lisboa e chegou a disparar contra o quartel do Ralis – ataque durante o qual morreu um soldado daquela unidade.

Regimento de Artilharia Ligeira nº 1 (RAL 1)

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Fotografias do Aquartelamento:
Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian