Da Complementaridade Cromática ao Contraste Luminoso

Se existe pessoa que me tem demonstrado amizade e uma paciência imensa, essa pessoa é o Tenente-Coronel José Manuel Pedroso da Silva, que muito tem contribuído para que esta página continue a crescer.
Chefe do Gabinete de Heráldica entre 1993 e 2010, criou para o Exército Português um vasto e riquíssimo Armorial (que poderão apreciar Aqui) que esta página tem vindo a divulgar e (de certa forma) homenagear.
Ao Tenente Coronel Pedroso da Silva, pelo seu talento, generosidade o meu obrigado.

Partilho convosco um apontamento sobre os “Laços de finalistas do Curso de Óptica e Electromecânica de Precisão” um texto genuíno e engraçado que vale a pena ser partilhado, lido e aproveitado.
Da autoria de José Manuel Pedroso da Silva que amavelmente me permitiu que o publicasse aqui na Página.

pedroso da silva

DA COMPLEMENTARIDADE CROMÁTICA AO CONTRASTE LUMINOSO
José Manuel Pedroso da Silva – 19570414

pedroso da silva.  01«Da complementaridade cromática ao contraste luminoso» [um apontamento sobre os laços de finalistas do Curso de Ótica e Electromecânica de Precisão – criado em 1948, pelo decreto-lei n.º 37:136 de 5 de novembro – e do que lhe sucedeu, o Curso Técnico de Instrumentos (Medida e Observação) – criado em 1959, pelo decreto-lei n.º 42 632 de 4 de novembro] – 100 anos – 100 escritos, Associação dos Pupilos do Exército, Lisboa, novembro de 2011, DEP. LEGAL: 335708/11, pp. 136 a 138.

Estávamos no ano letivo de 1964/1965. Ao princípio da tarde de uma quarta-feira, os altifalantes soaram por toda a primeira secção:
– Alunos números 10 e 414 devem comparecer no Corpo de Alunos; devem comparecer no Corpo de Alunos, os alunos números 10 e 414.
– Os nossos rostos, instantaneamente, ficaram imóveis ao mesmo tempo que mentalmente formulávamos a óbvia pergunta: – qual será o motivo que, desta vez, nos faz ser «merecedores de tal distinção».
– De facto, ser-se chamado ao Corpo de Alunos era coisa que não acontecia todos os dias. Podia ser mau presságio. Também se podia ser lá chamado, apenas para abrir, na presença do comandante do Corpo de Alunos, a carta recebida da sueca ou da finlandesa (as cartas provenientes do território nacional eram distribuídas normalmente pelo aluno de dia). Era pouco provável, todavia, que a nossa ida ao Corpo de Alunos estivesse relacionada com alguma daquelas cartas que, vinda de paragens mais frias, tornava a alma mais quente.

Bem, quanto mais depressa fôssemos, mais depressa ficávamos a saber o que se estava a passar. Com a energia dos 17 anos, impelida pela expectativa, atravessámos a parada, virámos para os claustros e seguimos em direção a um jardim que havia para lá das salas de estudo das duas companhias dos mais novos. Depois de subirmos aquela meia dúzia de degraus, apresentámo-nos ao Major Cunha, comandante do Corpo de Alunos.

Recordo-o como um conversador muito afável. Sabia que lhe chamávamos «Omo» e ficava visivelmente deliciado quando nos contava a origem de tão peculiar alcunha que lembrava a marca de um detergente em pó muito conhecido na época:  no regresso de uma comissão ao ultramar apresentara–se com a tez bastante escura, mas esse «bronze» africano não durou mais de duas semanas o que levou a malta a concluir, com o habitual espírito brincalhão: – o nosso major, lavou-se com omo! – Fora também nosso professor de Ciências Naturais, uns dois anos antes. Aí, evidenciara a excelência das suas qualidades pedagógicas, sempre reforçadas por gestos rasgados e exuberantes. Ainda recordo as voltas que deu à sala de aula quando nos explicou o aparelho digestivo da minhoca.

– Vocês são do Curso de Instrumentos, não são?

– Depois de o confirmarmos, prosseguiu: – mandei-vos chamar porque é necessário escolher as cores da fita para o vosso laço de finalistas.

– Mas, meu major, o nosso curso já tem um laço.

– Estão a referir-se a este – e apontou-nos um laço púrpura e ouro que tinha em cima da secretária – mas têm de escolher outro. Este era do antigo Curso Médio de Máquinas. Quando foi extinto, o Curso de Ótica passou a usá-lo. Como para o próximo ano letivo já há finalistas do (novo) Curso Médio de Eletrotecnia e Máquinas, recuperado pela reforma de 59, são eles que vão usar este laço. – Mas, meu major, os finalistas de Ótica sempre o usaram.

pedroso da silva

– Está bem, eu sei, mas os finalistas de Máquinas usaram-no anteriormente. Por isso, vocês é que têm de mudar. Há casas de artigos militares na baixa. Tomem lá o dinheiro para o elétrico e vão escolher a fita. Quando regressarem venham falar comigo.

– Lá saímos, cada um com dois escudos no bolso (hoje, andar de elétrico é muito mais caro), e um certo desconsolo no espírito motivado por três questões:

  • Uma, a da estabilidade. Embora tivéssemos sabido naquele momento que o laço pertencera, num passado para nós desconhecido, a outro curso, sempre nos habituámos a ver os estagiários dos Cursos de Ótica com ele: Guilherme Marques Guedes (19450163), Alfredo Maria Pedroso Ferreira Barros (19460055), João Francisco Pinheiro Salvador (19470150), Fernando António Caldeira Real (19470237), Rui Jorge Martins da Silva (19470327), Fernando Neto Rosa (19470349), Vítor Manuel Sousa Cabral Bastos (19480367), Nelson da Silva Pereira (19480371), Artur Fernando Teles (19490023), Licínio da Conceição Granada (19490154), António Elvira Borralho (19490302), José Reis Terras (19510129), Amílcar Gonçalves Friande (19510330), João Jorge Lopes da Silva (19520091), Fernando João Lameiras Pereira da Silva (19520102), Humberto Franklin Henriques Moita (19530032), José Ameixeira dos Santos (19540215), Constantino Tavares Gonçalves de Almeida (19540233), Francisco Diogo Pedro Simão (19550104), Manuel de Jesus Vaz Palma (19550335) e Samuel Conceição Batista Miranda (19560411).
  • Outra, a do significado: se a disciplina mais importante do nosso curso é a Ótica, ou seja, o estudo da luz (e consequentemente, da cor) esta associação cromática evidencia um grande contraste, já que a púrpura (cor que na Heráldicaatual se convencionou ser o violeta do espetro) e o amarelo (cor que normalmente nos tecidos, substitui o ouro) são complementares.
  • Outra ainda, a do efeito estético. A presença do ouro, dava-lhe um tom invulgar, já que, de todos os laços de finalistas, era o único que usava este metal (as fitas dos outros cursos tinham a seguinte constituição cromática: Curso Médio de Contabilistas, azul e vermelho; Curso Técnico de Electrónica, azul e prata; Curso Técnico de Viaturas, vermelho e prata; e Curso Geral de Comércio, verde e prata). A sua ligação à púrpura, por seu turno, era particularmente vistosa, distinta e chamativa. Gostávamos muito do laço e já imaginávamos que daí por dois anos, o iríamos ostentar, orgulhosamente.

Entendida a necessidade da mudança, havia que vestir a farda de saída, levantar o cartão no gabinete do oficial de dia, ir até à Estrada de Benfica e esperar o elétrico para os Restauradores.

As ideias não paravam de nos bailar na cabeça e mesmo ainda antes de vermos, na loja, aquilo que os fabricantes produziam, já começava a ganhar certa consistência, o que iríamos escolher.

As outras bicromias complementares – azul e laranja; vermelho e verde – não mereceram a nossa simpatia. A associação do azul ao laranja pode ser agradável à vista, mas cada uma destas cores é pouco recomendável: o azul tem pouca visibilidade sobre a farda, também ela azul e o laranja é uma cor tão garrida que raríssimas vezes tem sido usada nos sistemas emblemáticos. Juntar o verde ao vermelho não melhoraria as coisas: seria incongruente por tratar-se das cores da bandeira nacional. O próprio Instituto poderia não aceitar essa eventual proposta da nossa parte. Não fazia sentido que, num conjunto de seis cursos, um deles usasse as cores da nossa bandeira quando, afinal de contas, os outros eram igualmente portugueses.

A solução parecia estar na fita de uma condecoração criada para comemorar a vitória aliada na Grande Guerra. Devido à multiplicidade de países intervenientes neste conflito, a fita reproduzia todo o espetro solar visível. Com esta ideia bem alicerçada, entrámos numa casa comercial (que ainda hoje existe) e dissemos:

– Nós viemos escolher as cores para um novo laço dos finalistas e gostávamos que nos mostrasse a fita da medalha da vitória. – Não precisámos de dizer que éramos dos Pupilos: a inconfundível farda dizia-o por nós.

– Muito bem, ela aqui está, mas temo que não seja a apropriada. – Porquê? – Porque tem 38 milímetros de largura: é portanto muito mais larga que as fitas das condecorações nacionais que têm, todas elas, 30.

pedroso da silva

– O Eugénio e eu olhámo-nos com natural deceção. A fita era muito vistosa e coadunava-se perfeitamente com o curso, já que se via por ela, aquilo que 300 anos antes, Isaac Newton, tinha visto pelo seu prisma que, com riscas de Fraunhofer e tudo, era responsável por tantas dores de cabeça nas aulas do «Bolacha» e, posteriormente do Jacket.

– Que pena ser tão larga, – lamentámos.
– Se o laço antigo, que apostava no contraste de duas cores complemen-tares, vai ser devolvido aos primitivos «donos» e se esta fita, que decompõe a luz branca, está posta de parte, devido à dimensão, o que vamos fazer agora? – interrogámo-nos.

Por uns momentos, os nossos cérebros, tentavam encontrar uma resposta. A concentração era total, sobre aquela vitrina com largas dezenas de fitas multicoloridas. Não ousávamos, sequer, olhar em sentido contrário para as miúdas que, descontraidamente atravessavam a rua Barros Queiroz, mesmo sabendo que a vivacidade e leveza dos seus vestidos, podia inspirar-nos… e nisto, – tlim!
– Quase em uníssono, as nossas «campainhas» tangeram como que a anunciar que a escolha estava feita:
– No estudo da Ótica, luz e cor andam «de mãos dadas», é verdade, mas até agora, a vivacidade cromática do laço, parece ter-se esquecido do contraste luminoso entre um tom claro e um tom escuro. É altura de enfatizar esse contraste – Perante o mostruário existente, não tivemos dúvidas em escolher uma fita negra sulcada por uma faixa de ouro. Estava assegurado, não só o contraste luminoso como a presença do nobre metal, trazida do laço anterior. Viemos depois a saber que esta fita é a que usa uma Ordem Honorífica Portuguesa: a Ordem da Benemerência, hoje designada por Ordem do Mérito.

pedroso da silva

Foi assim que nasceu o laço que viria a ser usado por cinco alunos, até à extinção dos cursos técnicos: João Eugénio Quintela Leitão (19600010), João Luís da Fonseca Nabais (19600207), Abílio Marques Cardoso (19600285), Augusto dos Santos Macias (19620338) e este vosso amigo.

No curso seguinte, ainda houve tentativas, infrutíferas, é claro, para recuperar o laço púrpura e ouro. A uma distância de mais de quarenta anos, um Pilão desse curso confessou-me que no ano do nosso estágio «a malta gozava com o laço», mas reconhece que «era bonito e diferente de todos», acrescentando que «as garotas gostavam, e isso era o que interessava na altura».

Pedroso da Silva

Pedroso da SilvaEis uma história que poderia ter sido igual a tantas outras que vivi durante a década, de 1957 a 1967, n’ «Esta Casa tão bela e tão ridente». Quero acreditar, contudo, que não foi. Pelo menos tenho perguntado a mim próprio se este mero episódio não me fez despertar a curiosidade para as áreas da Heráldica e da Falerística que, num período muito mais recente, me preencheram integralmente os últimos dezoito anos ao serviço do Exército.

Agradecimentos:
Quero expressar a minha gratidão àqueles que, por diversas formas, possibilitaram a feitura deste apontamento. Embora correndo o risco, sempre desagradável, de cometer qualquer omissão involuntária, permitam-me que referencie individualmente:

Piedade Braga, Fernando Antunes (Casa Bastão), 19510321, José Franco Leandro; 19570119, Fernando Alegria da Mota; 19600093, António Ribeiro da Silva; 19600207, João Luís da Fonseca Nabais; 19610131, António José Borralho Estevéns; e 19810132, Rui Ventura dos Santos Vargas.

 Nota:
Este texto, após a sua publicação foi adaptado à norma europeia da língua portuguesa constante do acordo ortográfico da língua portuguesa, assinado em Lisboa a 16 de dezembro de 1990 e em vigor desde 1 de janeiro de 2010.

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Agrupamento Base de Santa Margarida

AGR BASE SM

ARMORIAL: JORGE GUERREIRO VICENTE
ILUMINURA:
 JOSÉ ESTEVÉNS COLAÇO
Aprovação: Aprovada  pela “Portaria” de 09 de Fevereiro de 1987
Publicação das Armas: Ordem do Exército nº 07/1987 (1ª Série) – pp. 517-519
NOTA: As Armas aprovadas para a actual: UNIDADE DE APOIO DA BRIGADA MECANIZADA (UnAp) são as mesmas do ABSM

ARMAS:
Escudo de negro, cinco espadas em pala, alinhadas em triângulo, acompanhadas em chefe de uma caldeira com arco e asa serpentíferos, tudo de ouro.
Elmo militar de prata, forrado de vermelho, a três quartos para a dextra.
Correia de vermelho perfilada de ouro.
Paquife e virol de negro e de ouro.
Timbre: um sobreiro de ouro.
Divisa: num listel de prata, ondulado, sotoposto ao escudo, em letras de negro, maiúsculas, de estilo elzevir:
“LEAIS E SEMPRE PRONTOS”.

SIMBOLOGIA:
AS ESPADAS: Simbolizam as cinco Armas do Exército cujas unidades baseadas no CIMSM, saõ apoiadas pelo ABSM
A CALDEIRA: que ostentavam os ricos-homens medievais simbolizando a riqueza que lhes permitia sustentar e manter as suas forças privativas, representa o apoio de Serviços que o ABSM tem como missão.
O SOBREIRO: Árvore nobre dominante da flora local, assinala a implantação geográfica do Agrupamento.
A divisa «LEAIS E SEMPRE PRONTOS» exprime a decisão de, com lealdade e prontidão imediata, cumprir as tarefas administrativas e de apoio a todos os corpos instalados no CIMSM.

SIGNIFICADO DOS ESMALTES:
OURO: a firmeza, preserverança, vigor e fé postos no cumprimento da missão.
NEGRO: a prudência, a discrição e constância nas adversidades essenciais à prestação de serviço.

ABSM

AGRUPAMENTO BASE DE SANTA MARGARIDA
Desde 2006 designada por: UNIDADE DE APOIO DA BRIGADA MECANIZADA

O Agrupamento Base de Santa Margarida (ABSM), teve origem no Destacamento do Campo de Instrução Militar de Santa Margarida (CIMSM) em 1953 em Santa Margarida.
Em 1981, Mudou de Designação para Agrupamento Base de Santa Margarida (ABSM)

Em 1952, tiveram início os trabalhos de organização destinados ao local e treino de uma Divisão (3ª) de Infantaria.
Em 1953, em consequência da necessidade de manutenção das infra-estruturas que foram sendo construídas é criado o Campo de Instrução Militar de Santa Margarida (CIMSM) que integrava uma Unidade Territorial designada por Destacamento do campo.
A partir de 1961 com o eclodir da guerra na províncias Ultramarinas aquela Unidade prestou larga contribuição à preparação e treino operacional dos Batalhões mobilizados.
Em 1978, é criado com sede permanente na área do Campo de Instrução Militar, a 1ª Brigada Mista Independente (1ª BMI), herdeira das tradições históricas da 3ª Divisão de Infantaria.
Em 1981, após as mudanças verificadas nas instalações da 1ª Brigada Mista Independente, é criado o Agrupamento base de Santa Margarida (ABSM), por transformação do destacamento do Campo. Esta criação dá-se devido à extensão física, ao volume de tarefas de apoio e serviços e à necessidade de ministrar instrução aos mancebos do CIMSM.
Em 1993, no âmbito da remodelação do Exército, o ABSM é extinto pelo Despacho 72/MDN/93 de 30 de Junho, sendo criado o Batalhão de Comando e Serviços (BCS).

Em 2006, no âmbito de nova remodelação do Exército Português é extinto o BCS por despacho de 30 de Junho do General CEME, e a 1 de Julho de 2006. é criada a UNIDADE DE APOIO, como Unidade orgânica da Brigada Mecanizada (BrigMec).
Mantém as responsabilidades do BCS em termos de apoio de serviços às Unidades e manutenção das áreas comuns do Campo de Santa Margarida.

LEAIS E SEMPRE PRONTOS

ABSM

 ABSM

Campo Militar de Santa Margarida

CMSM

ARMORIAL: JOSÉ MANUEL PEDROSO DA SILVA
ILUMINURA:
 JOSÉ ESTEVÉNS COLAÇO
Aprovação: Despacho do CEME nº 306/97 de 24 de Outubro de 1997
Publicação:
Ordem do Exército nº 11/1997 (1ª série)pp. 415-417
Condecoração: A 4 de Abril de 2002 foi feito Membro-Honorário da Ordem Militar de Cristo, passando a ostentar nas suas Armas a Cruz da Ordem Militar de Cristo
LEGISLAÇÃO: Mudou de designação, de CIMSM (Campo de Instrução Militar de Santa Margarida) para CMSM – Campo Militar de Santa Margarida, nos termos do Despacho 72/MDN/93 de 30JUN93, publicado no DR. n.º 163 – II Série 14JUL93, pág. 7503

ARMAS:
Escudo de negro, uma margarida de prata abotoada de ouro; orla ameada de ouro;
Elmo militar de prata, forrado de vermelho, a três quartos para a dextra;
Correia de vermelho, perfilada de ouro;
Paquife e virol de negro e de prata;
Timbre: um javali de negro, segurando um escudete da Brigada Mecanizada Independente;
Condecoração: Sotoposta ao escudo a cruz da Ordem Militar de Cristo.
Divisa: Num listel de prata, ondulado, sotoposto ao escudo, em letras de negro, maiúsculas, de estilo elzevir
“NAS ARMAS E NA PAZ”.

SIMBOLOGIA:
O NEGRO do campo alude ao elo profundo que une o homem à terra que defende;
A MARGARIDA é o elemento falante das armas porque constitui alusão inconfundível à localização do Campo Militar de Santa Margarida. É também uma importante referência ao domínio florestal e rústico e à harmonia que se busca entre a actividade militar e a preservação da natureza;
A ORLA, caracteriza o comando territorial associado à Brigada Mecanizada Independente;
O JAVALI simboliza a confiança na sua própria força, a prudência e a vigilância. A sua lendária inteligência aliada às suas invulgares capacidades de defesa, tornaram o javali num símbolo de resistência tenaz e corajosa bem como de irredutibilidade. Surgindo outrossim da profunda tradição hiperbórea, e como tal venerado nos tempos primordiais da Humanidade, o javali simboliza a autoridade espiritual e o domínio da mente e da sacralidade sobre a simples força material. Assim, os antigos povos da Lusitânia conotavam-no com o deus Endovélico, divindade benigna cujo culto se celebrava com grande intensidade na região transtagana. Gozava tal culto de tanto prestígio, que os invasores romanos o mantiveram e adoptaram, por considerarem que na sua área de origem, Endovélico e os seus javalis representavam a mais alta autoridade.
O ESCUDETE sustentado pelo javali representa as armas da Brigada Mecanizada Independente, Grande Unidade sediada no Campo Militar de Santa Margarida e seu encargo operacional;
A DIVISA, “NAS ARMAS E NA PAZ”, Lus. VII-56, é a afirmação inequívoca do papel relevante assumido pelo Campo Militar de Santa Margarida, tanto no plano operacional, pela sua responsabilidade na preparação e treino da Brigada Mecanizada Independente, como, por outro lado, em diversas missões no contexto do tempo de paz, de que se sublinham o apoio às populações e a defesa e preservação do ambiente.

SIGNIFICADO DOS ESMALTES:
O OURO, força e nobreza;
A PRATA, esperança e verdade;
O AZUL, galhardia e integridade;
O NEGRO, virtude e obediência.

ARMAS DO CAMPO MILITAR DE SANTA MARGARIDA
(Com a Cruz da Ordem Militar de Cristo com que foi condecorada)

CAMPO MILITAR DE SANTA MARGARIDA

 

CAMPO MILITAR DE SANTA MARGARIDA:

Campo militar de Santa margarida

TRADIÇÕES E PATRIMÓNIO HISTÓRICO:
Despacho n.º 220/CEME/2009: Institui a Brigada Mecanizada como unidade herdeira das tradições e do património histórico do extinto Campo Militar de Santa Margarida
In: (Ordem do Exército nº 01/2011 – pp.20)

DIA DA UNIDADE:
Por despacho de S. Exa. o General CEME, de 19 de abril de 2017, é instituído o dia 03 de
outubro como o Dia Festivo do Campo Militar de Santa Margarida (CMSM).

 

ÚLTIMA ACTUALIZAÇÃO:
14 DEZEMBRO 2017

Agrupamento Índia

AGR ÍNDIA

ARMORIAL: CRISTÓVÃO FLÓRIDO DA FONSECA
ILUMINURA:
JOSÉ ESTEVÉNS COLAÇO
Aprovação: 
Despacho s/nº CEME/12 de 26 Junho de 2012
Publicação das Armas: Ordem do Exército nº 09/2013 – pp. 675-677

ARMAS:
Escudo de negro, uma pala bretessada de ouro carregada de quatro moletas de negro
Elmo militar de prata, forrado de vermelho, a três quartos para a dextra
Correia de Vermelho, perfilada de ouro
Paquife e Virol de negro e de ouro
Timbre: Um Cavalo Sainte, erguendo o escudete da Brigada Mecanizada
Divisa: num listel de prata, ondulado, sotoposto ao escudo em letras de negro, maiúsculas de estilo elzevir:
“DE NADA A FORTE GENTE SE TEMIA”

SIMBOLOGIA:
O NEGRO: do campo representa a terra por onde a bravura e a galhardia dos nossos antepassados trilharam o caminho da honra e da glória;
A PALA bretessada de OURO lembra o rasto do trilho das viaturas mecanizadas, aludindo à natureza das unidades da Brigada Mecanizada que constituem o Agrupamento Índia, rasgando no negro da terra o caminho da honra e da glória;
As MOLETAS evocam as esporas de ouro que, após um feito de armas, eram solenemente entregues àqueles que, jurando não recear a morte, eram armados cavaleiros. O seu número é uma alusão ao antigo Regimento de Cavalaria nº 4, antecessor do atual Quartel de Cavalaria da Brigada Mecanizada, unidade responsável pelo aprontamento e organização do Agrupamento Índia e das quatro unidades da Brigada Mecanizada que contribuem com forças para o agrupamento, o Grupo de Carros de Combate, o Esquadrão de Reconhecimento, o Grupo de Artilharia de Campanha e a Bateria de Artilharia Antiaérea;
O CAVALO alude ás características de mobilidade e protecção blindada dos materiais que equipam o agrupamento Índia;
O ESCUDETE da brigada Mecanizada representa a grande Unidade mobilizadora do Agrupamento Índia.
A divisa “DE NADA A FORTE GENTE SE TEMIA” (“Os Lusíadas”, Canto I), alude ao carácter da missão do Agrupamento Índia e afirma a confiança no cumprimento da mesma;

SIGNIFICADO DOS ESMALTES:
– O OURO, a nobreza de carácter do militar português e a firmeza da sua conduta;
– O NEGRO: a constância na adversidade e o senso necessário na acção.

Dia da Brigada Mecanizada - 2013 Fotografia: Brigada Mecanizada
Dia da Brigada Mecanizada – 2013
Fotografia: Brigada Mecanizada

KFOR

AGRUPAMENTO ÍNDIA – AgrÍndia/FND/KFOR

O Agrupamento Índia, foi uma FND (Força Nacional Destacada) mobilizada pela Brigada Mecanizada para o Teatro de Operações do Kosovo integrada na KFOR (Kosovo Force) no período de 27 de Setembro de 2012 a 27 de Março de 2013
Forças Nacionais Destacadas – (Histórico de Missões)

agrupamento índia

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