Escola Prática de Infantaria

EPI

ARMORIAL: MIGUEL DE PAIVA COUCEIRO
ILUMINURA:
PUBLICAÇÃO DAS ARMAS: “Portaria”, 1978, Julho, 17 in OE, 1978, 1.ª série, n.º 7, pp. 444-445

ARMAS:
ESCUDO: uma besta de ouro, dois livros abertos do mesmo em contra-chefe
ELMO: Militar de prata, forrado de vermelho, a três quartos para a dextra
CORREIA: de vermelho perfilada de ouro
PAQUIFE E VIROL: um voo de ouro sustentando uma cruz florenciada, vazia de vermelho
TIMBRE: um voo de ouro sustentando uma cruz florenciada, vazia de vermelho
CONDECORAÇÕES: Circundando o escudo o Colar Membro Honorário da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito
DIVISA: um listel de branco, ondulado, sotoposto ao escudo, em Letras de negro, maiúsculas, de estilo elzevir:
“AD UNUM”.

SIMBOLOGIA:
A BESTA: é o emblema da Infantaria e os Livros constituem o tradicional emblema das escolas
A COR VERDE: do campo é a Infantaria

SIGNIFICADO DOS ESMALTES:
OURO: nobreza e fé
VERDE: esperança e liberdade.

ESCOLA PRÁTICA DE INFANTARIA

epi

ANTECEDENTES HISTÓRICOS
(Da Página do Exército Português)

ESBOÇO HISTÓRICO:

As relações de Mafra com a Infantaria são bem antigas, pois em 1809, na preparação para fazer face à terceira invasão francesa, Beresford estabelece no Convento um “DEPÓSITO DE RECRUTAS DE INFANTARIA”, com a missão de receber e instruir os soldados novos antes de se incorporarem nas unidades da Arma.

Guilherme Ferreira de Assunção no seu livro “À SOMBRA DO CONVENTO” refere que o conde Raczynski terá afirmado que em edifício de tão grandes dimensões seria possível alojar alguns regimentos. Escreve, ainda, que D. Maria II, após visitas à vila de Mafra, tinha reconhecido a vantagem da instalação de um corpo militar no Convento.

A partir de 1841, segundo o mesmo autor, o Convento começou a ser ocupado por militares. O Batalhão de Caçadores n.º 27 foi o primeiro e depois seguiram-se:

– Batalhão de Caçadores n.º 8; – Infantaria 1, 2, 5, 7,10, 12, 15, 16, 17 e 23; – Caçadores 1, 2, 3, 4, 5, 6 e 8; – Artilharia n.º 4; – Lanceiros n.º 2; – Cavalaria 4, 9, e 10.

1846 – Por diploma de 20 de Dezembro, sendo ministro da guerra o Conde de Tomar, é prevista a organização de campos de instrução, alguns com escolas militares que davam continuidade ou desenvolviam algumas escolas existentes em unidades militares.

EPI

ESCOLA PRÁTICA DE INFANTARIA E CAVALARIA:

1887 – Por carta de lei de 22 de Agosto, reinado de D. Luís I, o ministro da guerra Visconde de S, Januário – funda a Escola Prática de Infantaria e Cavalaria que começa a funcionar no CONVENTO DE MAFRA. Assim se materializou naquele ano, a ideia da criação de escolas práticas destinadas ao desenvolvimento da instrução profissional dos oficiais de infantaria e de cavalaria, reunindo-se num estabelecimento a instrução prática das duas armas, por se terem achado comuns às duas, algumas especialidades de instrução militar.

1888 – A 9 de Janeiro, sendo comandante o Coronel César Augusto da Costa é publicada a primeira Ordem de Serviço. Nesse mesmo ano inicia-se a construção da carreira de tiro, considerada na época a melhor do país.

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Imagem: Antigo emblema da EPI – (Colecção Pessoal: Nuno Chaves)
Um Elmo antigo e tripartido, verticalmente, com as cinco quinas ladeadas pela figura do Patrono da Infantaria: D. Nuno Álvares Pereira, e uma espada curta.
Sob o Elmo, a sigla da Unidade e em baixo sob um listel branco a Divisa da Unidade, gravada em ouro: “AD UNUM” (Até ao Último)

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ESCOLA PRÁTICA DE INFANTARIA:

1890 – Em 17 de Abril, três anos após a fundação, separam-se as escolas de infantaria e cavalaria, continuando a primeira a funcionar em Mafra e em 24 do mesmo mês é publicado o regulamento inicial da Escola Prática de Infantaria. Pretende-se além do estipulado pela regulamentação de 1887, completar a instrução prática dos oficiais saídos da Escola do Exército e habilitar os indivíduos dos diferentes graus hierárquicos na prática de todos os serviços que eram os da Arma, experimentar armas de fogo, estudar melhoramentos no equipamento e fardamento da infantaria. Pelo mesmo regulamento era dividida a Escola em duas secções – Tiro, Esgrima e Ginástica.

1890 – Em 29 de Abril é publicada a primeira ordem de serviço da Escola Prática de Infantaria de que era comandante o coronel Joaquim Herculano Rodrigues Galhardo.

1893 – Subscrito pelo general Luís Augusto Pimentel Pinto, é publicado a 25 de Outubro o novo regulamento da EPI em que fica estabelecido o quadro orgânico e definida a missão no que respeita à instrução da Arma.

1902 – Por regulamentação desse ano definem-se os princípios estruturais expressos do antecedente, iniciando-se assim os cursos de promoção a oficial superior e passando a funcionar na EPI a Escola Central de Sargentos.

1911 – Passa a Escola a designar-se Escola de Tiro da Infantaria, dedicando-se especial interesse à instrução de tiro e concretizando-se a evolução verificada no exército pela qual era atribuída menor importância à instrução táctica dos quadros.

1920 – 1º Curso da Escola Central de Sargentos.

1926 – Em 17 de Setembro cria-se finalmente a Escola Prática de Infantaria, designação que se mantém até ao presente. Na década de 40 a EPI mobilizou o BI 20 para os Açores e destacou, na década de 50, o Batalhão Vasco da Gama para a Índia.

De 1961 a 1974 a EPI desenvolveu um extraordinário esforço na preparação e formação de quadros para a guerra de África, tendo destacado a Companhia de Caçadores 115 para Angola e a Companhia de Caçadores 176 para Moçambique.

Em 25 de Abril de 1974, a Escola foi uma das Unidades mais determinantes na “Revolução dos cravos”, contribuindo decisivamente para a restauração da democracia e liberdade em Portugal.

“Sendo fiéis à ideia tida e à palavra dada” (transcrição de parte da placa comemorativa do 20 anos do 25 de Abril, colocada na Porta D´ Armas) a Escola volta a ter papel relevante em 25 de Novembro de 1975.

2013 – É extinta a EPI, pelo despacho 10083/2013 de S.Exa o Ministro da Defesa Nacional, de 03 de Julho, aprova-se a criação da Escola das Armas e a desactivação da Escola Prática de Infantaria com efeitos a partir de 1 de Outubro de 2013.
O Despacho nº 118/2013 do Chefe do Estado do Exército é transcrito na Ordem do Exército (OE) nº 8 de 2013

EPI

SÍNTESE HISTÓRICA:

Em 1887 foi criada a Escola Prática de Infantaria e Cavalaria, com sede em Mafra, aproveitando para a sua instalação parte do Palácio-Convento, mandado erigir por D. João V

Em 1890, é criada a Escola Prática de Infantaria (EPI) que permanece em Mafra, nas instalações que já ocupava a Escola Prática de Infantaria e de Cavalaria.

A EPI viu o seu nome alterado para Escola de Tiro de Infantaria em 1911
Em 1925 para Escola de Aplicação de Infantaria
Em 1926 retoma a sua designação incial para EPI

É herdeira das Tradições do seguinte Corpo:
– Ramo de Infantaria da Escola Prática de Infantaria e Cavalaria, criada em 1887 e extinta em 1890 em Mafra.

EPIFotografia – José Castilho | Escola Prática de Infantaria – Out 1970

A EPI é fiel depositária do Património histórico das seguintes Unidades:
– Batalhão de caçadores nº 9 criado em 1811 na Lourinhã e extinto em 1829
– Regimento de Infantaria nº 25 criado em 1829 em Peniche e extinto em 1829
– Regimento de Infantaria nº 26 criado em 1826 na Figueira da Foz e extinto em 1829
– Batalhão Provisório de Oficiais criado em 1829 na Terceira e extinto em 1829
– Regimento de Infantaria nº 10 com origem do terço de Peniche 1697 em Peniche e extinto em 1834 em Évora
– Regimento de Infantaria nº 3 criado em Miranda do Douro extinto em 1834
– Regimento de Infantaria D. Miguel I com origem no Batalhão de Caçadores El-Rei D. Miguel em 1833 em Estremoz e extinto em 1834
– Regimento de Infantaria nº 9 com origem no regimento de Infantaria de Monção de 1707/Viana do castelo e extinto em 1829
– Regimento de Infantaria nº 6 criado em 1834 em Lamego e extinto em 1834
– Regimento de Infantaria nº 9 criado em 1834 em Viana do Castelo e extinto em 1834
– Regimento de Infantaria nº  18 criado em 1834 em Vila do Conde e extinto em 1834
– Regimento de Infantaria nº  9 criado em 1835 em Lamego e extinto em 1927
– Regimento de Infantaria nº  21 criado em 1834 em Valença e extinto em 1834
– Batalhão de Caçadores nº 1 criado em 1834 em Montemos-o-Novo e extinto em 1834
– Batalhão de Caçadores nº 2 criado em 1834 em Veiros e extinto em 1834
– Batalhão de Caçadores nº 3 criado em 1834 em Vila Real e extinto em 1834
– Batalhão de Caçadores nº 4 criado em 1834 em Castro Marim e extinto em 1834
– Batalhão de Caçadores de D. Miguel I criado em 1834 em Miranda do Douro e extinto em 1834
– Batalhão de Caçadores nº 6 criado em 1834 em Penafiel e extinto em 1834
– Batalhão de Caçadores nº 7 criado em 1834 em Gouveia e extinto em 1834
– Batalhão de Caçadores nº 8 criado em 1834 em Penamacor e extinto em 1834
– Batalhão de Caçadores nº 9 criado em 1834 em S. Pedro do Sul e extinto em 1834
– Batalhão de Caçadores nº 10 criado em 1834 em Moura e extinto em 1834
– Batalhão de Caçadores nº 11 criado em 1834 em Vila da Feira e extinto em 1834
– Batalhão de Caçadores nº 12 criado em 1834 em Ponte de Lima e extinto em 1834
– Batalhão de Caçadores nº 27 criado em 1837 em Mafra e extinto em 1842
– Regimento de Infantaria nº 27 criado em 1837 em Mafra e extinto em 1842
– Regimento de Infantaria nº 23 com origem no terço de Almeida em 1642 em Almeida e extinto em 1829 em Lamego
– Regimento de Infantaria Provisório do Porto criado em 1851 no Porto e extinto em 1851
– Batalhão provisório de Caçadores de Coimbra criado em 1851 em Coimbra e extinto em 1851
– Batalhão de Ciclistas nº 2 com Origem no regimento de Infantaria nº 21 em 1833 em Peniche e extinto em 1938 em Santarém
– Regimento de Infantaria nº 21 com origem no terço Novo de Entre-Douro-e-Minho em 1664 em Valença e extinto em 1829

EPI

A EPI  mobilizou  durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945): Para os Açores : 1 Batalhão de Infantaria
Em 1954 para o Estado da Índia: O Batalhão Vasco da Gama
Para Angola, durante a Guerra do Ultramar (1961-1974): 1 Companhia de Caçadores
Para Moçambique:  1 Companhia de Caçadores

Das Unidades antecessoras  com Ligação à Escola Prática de Infantaria destacou-se:
– O Regimento de Infantaria nº 16 (RI 16) que durante a 1ª Guerra Mundial (1914/1918) mobilizou para Angola: 1 Batalhão de Infantaria.

EPI

CONDECORAÇÕES:

ARTIGO EM ACTUALIZAÇÃO

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3 pensamentos sobre “Escola Prática de Infantaria

  1. Fui chamado pela Pátria a alistar-me no glorioso exercito nacional. Entrei na E.P.I. a 17 de março de 1980 depois da hora do almoço. Tinha acabado de chegar do Porto. Fui soldado instruendo do C.G.M. nrº mecanográfico 04263479. Adorei o convento e a sua história, principalmente pelas caçadas do rei D.Carlos. A preperação militar era intensa, mas tinha que ser para nosso bem num cenário de guerra. Gostei imenso daquela experiência e verifiquei que tinha entrado um menino e tinha saído um homem. Ao apreceber-me disso pensei em seguir a carreira militar, mas o meu querido pai precisava de mim na nossa pequena empresa de importação de algodão em rama para as fiações nacionais, que naquela altura prosperavam. Enfim a vida tem destas coisas e acabei por acatar as ordens do meu pai. Todos os anos vou a Mafra e matar saudades e quando lá chego os olhos ficam vermelhos e húmidos (saudades e dedicação à Pátria). Algumas das visitas sou acompanhado pelos meus filhos que ficaram maravilhados com aquela obra de arte. Tenho a certeza que se fosse hoje incorporado faria ainda melhor, com mais garra e dedicação. O tempo passa depressa demais. Tenho alguns amigos do tempo da recruta que normalmente vamos tomar onosso copo e divagar o passado. O meu querido amigo sargento-chefe Alberto Ferreira é um dos melhores exemplos. Amigos antes, em Mafra e no extito Regimento de Infantaria do Porto, onde recebi com muita honra uma medalha de Mérito Pessoal primeira classe. Pretenci à 2ª companhia de atiradores e acabei voluntariamente ir para o curso de minas e explosivos. Muito obrigado por me darem esta oportunidade de poder expressar o que me vai na alma. Bem hajam. Pelo bem da nação VIVA PORTUGA, VIVA A INFANTARIA, VIVA A GRANDIOSA ESCOLA DE INFANTARIA DE MAFRA. Um forte abraço para todos os meus camaradas indeferentemente do seu posto.
    Melhores Cumprimentos,
    1º cabo – Carlos Pinto

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