Regimento de Cavalaria de Braga

rc 6

Armorial: Cor. Jorge Guerreiro Vicente
Publicação das Armas: “Portaria”, 1980, Fevereiro, 22 in OE, 1980, 1.ª série, n.º 3, pp. 187-189

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Desde 14 de Julho de 1993, a  designação regressa à forma numérica tradicional voltando a designar-se:

REGIMENTO DE CAVALARIA 6

ARMAS:

Escudo de negro, um Dragão de ouro, animado, lampassado e calçado de vermelho, armado do primeiro, acompanhado de duas faixas ondadas de prata com uma burela de azul, uma em chefe e outra em ponta.
Elmo militar de prata, forrado de vermelho, a três quartos para a dextra.
Correia de vermelho perfilada de ouro.
Paquife e virol de negro e de ouro.
Timbre: um cavalo brincão sainte, de ouro, sustenta um escudo de prata, com uma cruz firmada de azul. Condecoração: circundando o escudo a partir das suas pontas o colar de comendador da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito.
Divisa: num listel de prata, ondulado, sotoposto ao escudo, em letras de negro, maiúsculas, estilo elzevir:

“AVANTE PARA A GLÓRIA”.

SIMBOLOGIA:

FAIXAS ONDADAS: representam o rio Minho e o rio Douro;
DRAGÃO: simboliza os Cavaleiros, sentinelas vigilantes nas terras de entre-Douro-e-Minho;
CAVALO: a mais bela conquista do homem, é o fiel companheiro de uma epopeia que começa no início da nacionalidade, a que alude o escudo com a cruz de azul, e se espande até aos nossos dias, passando pelas jornadas gloriosas de ARMIGNON e da MÔNGUA.

O oiro: significa fé e nobreza;
A prata: significa riqueza e eloquência;
O azul: significa o zelo e lealdade;
O vermelho: significa o ardor bélico e força;
O negro: representa a terra e significa firmeza e honestidade

CONDECORAÇÕES:

Direito Próprio:
– Comendador da Ordem Militar da Torre e Espada do Valor, Lealdade e Mérito, concedida ao 4º pelotão do RC 11 em 1914 em Angola (Defesa de Angola – 1ª Guerra Mundial)
– Oficial da Ordem Militar da Torre e Espada do Valor, Lealdade e Mérito, concedido ao RC 6 em 1919 / Movimento Monárquico do Norte.
– Cruz de Guerra de 1ª classe, concedida ao 3º Esquadrão do RC 11 em 1975 em Angola (Defesa de Angola – 1ª Guerra Mundial)

LEGENDAS:

Direito Próprio:
– Pirinéus  18313 – RC 6
– Espanha – 1835/37 – RC 6
– Chaves – 1912 – RC 6
– Cuamato – 1914/15 – RC 11
– Cuanhama  – 1915 RC 11
– Môngua – 1915 – RC 11

Cronologia:

RC61709 – criação do Regimento de Dragões de Trás-os-Montes
1756 – divisão dos Dragões de Trás-os-Montes em dois regimentos, o dos Dragões de Chaves e o de Cavalaria Ligeira de Bragança
1762 – os dois regimentos são transferidos para o Ribatejo, aquartelando-se o de Dragões em Santarém e o de Cavalaria Ligeira na Golegã
1764 – os dois regimentos voltam às cidades de origem, sendo, a partir destes, criado um outro regimento o de Cavalaria de Miranda
1806 – os regimentos do Exército Português passam a ser numerados, a Cavalaria de Bragança passa a ser o Regimento de Cavalaria Nº 6, a de Chaves, RC9 e a de Miranda, RC12
1808 – na sequência da reorganização do Exército, o RC6 é transferido para o Porto, o RC9 para Braga e o RC12 para Chaves
1829 – por ordem de D. Miguel I os RC6, RC9 e RC12 são refundidos num único regimento, denominado Regimento de Cavalaria de Chaves, integrando o exército realista
1834 – por ordem D. Pedro IV os militares liberais que abandonaram os regimentos de cavalaria realista do Norte, entre os quais Regimento de Chaves são integrados no novo Regimento de Cavalaria Nº 6 organizado no Porto;1835 – na sequência da vitória liberal na Guerra Civil o Regimento de Cavalaria de Chaves (realista) é extinto, sendo o RC6 (liberal) transferido para o seu quartel em Chaves
1927 – o RC6 é transformado no 3º Grupo de Esquadrões (em Chaves) do Regimento de Cavalaria Nº 9 (sedeado no Porto)
1939 – O RC 9 é transformado em Regimento de Cavalaria Nº 6 com sede no Porto e o seu 4º Esquadrão destacado em Chaves;1956 – o 4º Esquadrão é recolhido à sede do RC 6 no Porto
1975 – o RC 6 passa a denominar-se Regimento de Cavalaria do Porto
1979 – o regimento é transferido para Braga, passando a denominar-se Regimento de Cavalaria de Braga
1993 – o regimento readopta a designação de Regimento de Cavalaria Nº 6

Síntese:

RC6

A sua origem remonta ao início do século XVIII e advém de dois marcos distintos:
– os Regimentos de Cavalaria de Trás-os-Montes implantados naquela região no dealbar do século XVIII;
– a reorganização do Exército de 1901.

 Em 1709 é referenciado o então Regimento de Dragões de Trás-os-Montes, que tem pôr Comandante o Coronel Filipe de Sousa Carvalho, o qual toma a designação de Regimento de Dragões de Chaves em 1754 simultaneamente com a criação do Regimento de Cavalaria Ligeira de Bragança. Estes dois Regimentos são destacados em Abril de 1762 para o Ribatejo, o de Bragança designado pôr Regimento de Cavalaria de Trás-os-Montes c acantonado na Golegã e o de Chaves designado por Regimento de Dragões de Trás-os-Montes e acantonado em Santarém.
Por alvará de 24 de Fevereiro de 1764 passam a existir três Regimentos de Cavalaria na província de Trás-os-Montes: o Regimento de Cavalaria da cidade de Bragança cujo Comandante é o Coronel Duarte Smith, o Regimento de Cavalaria da praça de Chaves, sendo Comandante o Coronel D. Pedro Manuel de Vilhena e o Regimento de Cavalaria da cidade de Miranda comandado pelo Coronel Baltazar Jacome do Lago.
Com a organização do Exército de 1806 (Decreto de 19 de Maio) nova nomenclatura se opera, aparecendo pela primeira vez a numeração dos Regimentos: Regimento de Cavalaria N° 6 em Bragança, N° 9 em Chaves e N° 12 em Miranda. Em 1808, após a retirada de Junot, os Regimentos da Divisão Norte são reorganizados: Regimento de Cavalaria N° 6 no Porto, N° 9 em Braga e N° 12 em Chaves.

RC6
Já em clima de Guerra Civil no ano de 1829, na Ordem do Dia N° 58, D. Miguel ordena que dos contigentes dos extintos Regimentos de Cavalaria números 6, 9 e 12, que se tinham revoltado (a maioria dos militares em apoio dos liberais), se forme um Regimento denominado Regimento de Cavalaria de Chaves.
Em 28 de Fevereiro de 1834 D. Pedro reorganiza na cidade do Porto o Regimento de Cavalaria N° 6, que fora extinto por D. Miguel em 1829, integrando nele todos os militares apoiantes da sua causa, e que tinham abandonado os Regimentos de Cavalaria do Norte apoiantes dos absolutistas. Após a Convenção de Évora Monte são extintos os Regimentos apoiantes de D. Miguel, e o Regimento de Cavalaria N° 6, sob o comando do Coronel Simão da Costa Pessoa, em Março de 1835, passa a ocupar o quartel de Chaves onde permanece até 1927. Nesta data, por necessidade de contenção de despesas, o Regimento de Cavalaria N° 6 (Chaves) transforma-se no 3° Grupo de Esquadrões do Regimento de Cavalaria N° 9, Unidade sediada no Porto em consequência da organização do Exército de 1901. No ano anterior, em 1926, o RC 9 passa a ter em Braga um Esquadrão pela integração do pessoal, material e animal do Regimento de Cavalaria N° 11 que é extinto. Este RC 11 teve uma vida efémera, pois tinha sido formado em Braga em 1911 por decreto do Governo Provisório da República aproveitando o 4° Esquadrão do RC 6, o 4° Esquadrão do RC 9 e o 3° Esquadrão do RC 8, sendo extinto em 1926.

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Em 1939 o Regimento de Cavalaria N° 9 toma o nome de Regimento de Cavalaria N.° 6 com sede no Porto e com o 4º Esquadrão destacado em Chaves.
Em 1956, o agora Regimento de Cavalaria N° 6, recolhe o seu 4° Esquadrão destacado em Chaves e passa a ter como destino a cidade de Guimarães para onde nunca viria a ser mudado.
Em 1975 o Regimento de Cavalaria N° 6 passa a ser designado pôr Regimento de Cavalaria do Porto (RCPORTO) e é criado o Destacamento de Espinho (RCPOE), sediado em Paramos, destinado à instrução de escolas de recrutas.
Em 1976 o Destacamento é transferido para as instalações da Carreira de Tiro de Espinho, em Silvalde, onde se mantém até ser extinto em 30 de Julho de 1979.
Nesse mesmo dia 30 de Julho de 1979 o Regimento é transferido para a cidade de Braga, instalando-se no Quartel do Areal do extinto Regimento de Infantaria 8, e passando a designar-se Regimento de Cavalaria de Braga.
Em 14 de Julho de 1993 voltou a designar-se por Regimento de Cavalaria N° 6, retomando o seu número de origem.

artigo em actualização

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