Serviço Postal Militar

Serviço Postal MilitarArmorial José de Campos e Sousa
Armas não publicadas. Aprovadas por despacho ministerial de 1967, Março, 16 sobre informação n.º 49

ARMAS:

Escudo de prata, com dois filetes de negro passados em aspa e brocante ao centro uma arruela de vermelho carregada de um leão rampante de ouro, segurando na garra dextra uma espada antiga de prata, guarnecida e empunhada de ouro.
Elmo militar de prata, forrado de vermelho, a três quartos para a dextra.
Correia de vermelho, perfiladas de ouro.
Paquife e virol de prata e vermelho
Timbre: um pombo de prata, bicado e armado de vermelho. Divisa: num listel de prata, ondulado, sotoposto ao escudo, em letras de negro, maiúsculas, de estilo elzevir:

“A VIDA POR UMA MENSAGEM”

ARTIGO EM ACTUALIZAÇÃO

Guiao SPM

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Grupo de Dragões de Angola

gda

Armorial: José Campos e Sousa 
Publicação das Armas: “Portaria”, 1970, Agosto, 20 in OE, 1970, 1.ª série, n.º 8, pp. 275 e 276

ARMAS:

Escudo de negro, duas espadas antigas de prata com guardas, punhos e maçanetas de ouro, passadas em aspa, acompanhadas em chefe, em ponta e nos flancos de quatro dragões rampantes de ouro.
Elmo militar de prata, forrado de vermelho, a três quartos para a dextra.
Correia de vermelho perfilada de ouro.
Paquife e virol de negro e de ouro.
Timbre um dragão rampante de ouro segurando na garra dianteira dextra uma espada antiga.
Grito de guerra: num listel de prata, ondulado, sobreposto ao escudo, em letras de negro, maiúsculas, de estilo elzevir:

“DRAGÕES… CARREGAR!” 
(estas armas foram ordenadas sem divisa)

SIMBOLOGIA:

O Campo do Escudo simboliza a terra de Angola, no continente negro.
As Duas Espadas Antigas simbolizam a Arma de Cavalaria.
Os Quatro Dragões de ouro simbolizam os componentes do Grupo e o seu valor militar.
O Timbre simboliza um componente do Grupo, prestes a carregar.
O Grito de Guerra é histórico e alude à voz dada pelo comandante do 2º Esquadrão de Dragões do Planalto, Tenente Alfredo Pedreira Martins de Lima, na Campanha dos Cuamatos: “Dragões ao galope!

O OURO: nobreza e fé.
A PRATA: riqueza e eloquência.
O NEGRO: firmeza e prudência

Carlos Palhinha (furriel miliciano do CITC)  Falecido em 2013 Foto cedida por: DRAGÕES DE ANGOLA

Carlos Palhinha (furriel miliciano do CITC)  | Falecido em 2013 | Foto cedida por: DRAGÕES DE ANGOLA
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SÍNTESE:

gda(Via Wikipédia) Os Dragões de Angola constituíram as tropas a cavalo que o Exército Português empenhou na Guerra do Ultramar em Angola, no final da década de 1960 e início da de 1970. Historicamente, constituíram provavelmente as últimas tropas de genuínos dragões (infantaria a cavalo) a serem empregues em operações de combate.

A designação “Dragões de Angola” era apenas honorífica. Inicialmente aplicou-se como título meramente honorífico às unidades de cavalaria blindada e motorizada de guarnição normal em Angola. Como tal, foi aplicada sucessivamente ao Esquadrão de Reconhecimento de Luanda, ao Grupo de Reconhecimento de Angola e ao Grupo de Cavalaria n.º 1. Com o surgimento das subunidades de tropas a cavalo, a designação passou a aplicar-se mais especificamente a estas.

As unidades de dragões fizeram parte das guarnições dos territórios africanos de Portugal, desde o século XVIII até ao início do século XX. EmAngola e Moçambique, essas unidades ainda chegaram a ser empregues em combate contra os alemães, durante a Primeira Guerra Mundial. No entanto, pouco depois, essas unidades passaram a ser motorizadas e blindadas, mantendo, no entanto, o título honorífico de “Dragões”.

As tropas de Dragões – no sentido original e não honorífico do termo – ressurgiram no Exército Português, no contexto da Guerra do Ultramar. Em 1958 foi criada a primeira unidade da arma de Cavalaria, sedeada em Angola (Luanda) desde logo adoptando a designação de “Dragões de Angola”. Posteriormente veio a ser criado o Grupo de Reconhecimento de Angola, (mais tarde designado por Grupo de Cavalaria nº 1 ou GCav1),com sede na cidade de Silva Porto (Bié), integrando esse Esquadrão e dado origem à constituição de mais 2 esquadrões operacionais e um esquadrão de comando e serviços. Em Luanda ficou sedeado o ECav401 (1º Esquadrão), em Silva Porto o ECS e o ECav402 (2º Esquadrão) e na cidade do Luso o ECav403 (3º Esquadrão). Estas unidades estavam equipadas com blindados Panhard (EBR e ETT) de origem francesa, que haviam sido sujeitos às necessárias adaptações ao teatro operacional. Mais tarde foram também integradas unidades blindadas, de características diferentes, as AML. Esses veículos eram, preferencialmente utilizados em escoltas a colunas (militares ou civis), designados por MVL. Em 1966, devido às condições de combate no Leste de Angola, o Comando do Exército Português decidiu então criar um pelotão experimental a cavalo. Essa unidade mostrou-se ideal para a actuação na região, pois os militares a cavalo tinham uma boa visão do terreno coberto por capim elevado, conseguindo fazer uma aproximação silenciosa às forças inimigas.

O armamento padrão da unidade era uma espingarda G3, para uso em combate apeado, e uma pistola Walther P38, para tiro a cavalo. O seu sucesso foi de tal monta que a unidade experimental deu lugar a três esquadrões a cavalo, integrados no já citado GCav1. O GCav1 veio também a integrar uma unidade de atiradores de cavalaria, designada por CCav1407, com sedeado na povoação do Andulo. Esse sucesso incentivou ainda, no início da década de 1970, a criação de uma unidade deste tipo em Moçambique. Na atuação dos dragões destaca-se as operações onde estes “empurravam” as forças inimigas numa direção, as quais eram, posteriormente, cercadas por tropas, lançadas de helicóptero na retaguarda daquelas.

Regimento de Cavalaria de Santa Margarida

rc4

Armorial: Cor. Jorge Guerreiro Vicente 
Publicação das Armas: “Portaria”, 1981, Janeiro, 22 in OE, 1981, 1.ª série, n.º 5, pp. 223-225

Em 1993, a  designação regressa à forma numérica tradicional voltando a designar-se:

REGIMENTO DE CAVALARIA Nº 4

ARMAS:

Escudo de negro, duas palas bretessadas de ouro; chefe do primeiro sustido do segundo, carregado de quatro moletas do mesmo.
Elmo militar de prata, forrado de vermelho, a três quartos para a dextra.
Correia de vermelho perfilada de ouro.
Paquife e virol de negro e ouro.
Timbre: um cavalo empinado de negro, sainte, caparazonado de ouro.
Condecoração: circundando o escudo o colar de comendador da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito.
Divisa: num listel de prata, ondulado, sotoposto ao escudo, em letras de negro, maiúsculas, de estilo elzevir:

“PERGUNTAI AO INIMIGO QUEM SOMOS”.

SIMBOLOGIA:

PALAS DE OURO, os rastos dos trilhos dos carros de combate rasgam no NEGRO da terra, o caminho da Honra e da Glória;
As MOLETAS invocam as esporas de ouro que, no campo de batalha após um feito de armas, ou na austeridade hierática de uma catedral depois da longa velada de armas, solenemente recebiam aqueles que, jurando não recear a morte, eram então armados cavaleiros;
As moletas são QUATRO em memória dos feitos dos homens do 4 de Cavalaria que na Guerra Peninsular e nas Campanhas de África escreveram “páginas brilhantes e consoladoras” na História e assim souberam ganhar o título do seu maior orgulho: haver merecido o nome de “Soldados”;
Nada novo mas novo, Carristas hoje (negro foi também o seu primeiro uniforme) outrora Cavaleiros medievais – Homem e Carro, Homem e Cavalo – irmanados ao longo dos tempos na mesma audácia de agir, na mesma fé de vencer, na mesma certeza de servir por bem, e, de vitória em vitória, orgulhosamente deixar ao inimigo o dever de os julgar e de deixar ao mundo quem são;

OURO: a potência das suas cargas fulgurantes e a fidelidade aos ideais da Cavalaria;

NEGRO: a obediência abnegada das suas temerárias acções de sacrifício e firmeza na preservação das tradições da Arma.

No timbre, o CAVALO armadurado evoca as velhas tradições da Cavalaria de antanho

CONDECORAÇÕES:
Direito Próprio:
– Comendador da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito, concedida ao 1º pelotão do RC 4 em 1914/1915 em Angola-Cuamato.
– Cruz de Guerra de 1ª Classe, concedida ao 3º Esquadrão do RC 4 em 1915 em Agola – Cuanhama
– Cruz de Guerra de 1ª classe, concedida ao 3º Esquadrão do RC 4 em 1914/1915 em Angola – Môngua.

LEGENDAS:
Por citações, louvores ou condecorações têm atribuídas as seguintes legendas:

Herança:
– LADOEIRO – 1810 (RC4)
– FUENTES DEL MAESTRO – 1812 (RC4)
– SALAMANCA – 1812 – (RC4)
– PIRINÉUS – 1813 (RC4/RC11)
– VIELLA – 1814 (RC4)
– CUAMATO – 1914/15 (RC4)
– MÔNGUA – 1915 (RC4)
– CUANHAMA – 1914/15 (RC4)

SÍNTESE:

RC4O Regimento de Cavalaria de Santa Margarida (RCSM) teve origem no regimento de Cavalaria nº 4 (RC4) – 1964 em Santa Margarida.
Em 1975, recebeu a designação de RCSM.

O RCSM integra as tradições MIlitares das seguintes Unidades:
– Grupo Divisionário de Carros de Combate, criado em 1955 em Santa Margarida e integrado em 1964
– Grupo de Carros de Combate /RC8, criado em 1956 em Santa Margarida e integrado em 1964

O RCSM é herdeiro das tradições Militares das seguintes Unidades:
– RC4 com origem no Regimento de Cavalaria de Mecklemburg – 1762 em Lisboa, extinto em 1834/Lisboa
– RC4 com origem no Regimento de Cavalaria Ligeira de Almeida – 1715 em Almeida, extinto em 1955 em Santarém
Regimento de Cvalaria nº 8 (RC8), com origem no Regimento de Cavalaria nº 11 (RC11) – 1926 em Catelo Branco, extinto em 1975

Das Unidades antecessoras com ligação a este Regimento, destacaram-se:
– Uma Companhia do RC4 que conjuntamente com outra Companhia Inglesa atacaram um departamento de Cavalaria Francês no Ladoeiro em 1810
– O RC4, pela sua participação no combate de Fuentes del Maestro em 1812
– Na mesma altura e dando continuidade ao plano do Duque de Wellington, liderar as comunicações entre os exércitos franceses de Soult e Marmot, participou o RC11  no assalto a Salamanca.
– O RC4  e o RC11 pela sua participação nos combates dos Pirinéus  em 1813. o RC4 em 1814, demonstrou o seu valor no combate de Viella
– O RC 4 participou ainda na defesa de Angola (1914/15), durante a 1ª Guerra Mundial, mobilizando um Esquadrão de Cavalaria.
– O RC 8, que durante a Guerra do Ultramar (1961/1974) mobilizou:
Para Angola: 5 Companhias de Cavalaria
Para a Guiné: 7 Esquadrões de Reconhecimento
Para Moçambique: 1 batalhão de Cavalaria
– O RC 4, que durante a mesma ocasião mobilizou:
Para Angola: 4 Batalhões de Cavalaria e 22 Companhias de Cavalaria
Para a Guiné: 4 Companhias de Cavalaria
Para Moçambique: 6 Batalhões de Cavalaria e 12 Companhias de Cavalaria

REGIMENTO DE CAVALARIA Nº 4

RC4

Em 1762, quando em Portugal reinava D. José I e governava como Primeiro Ministro o Marquês de Pombal, dá-se o início a uma grande reforma das Forças Armadas Portuguesas – quase se podendo dizer com mais propriedade que só agora elas aparecem como tal – tendo em vista a situação que então se vivia na Europa e que indicava já a futura «Guerra dos Sete Anos».

A execução da reforma a que nos referimos é entregue a um oficial muito competente – o Conde de Lippe – que para esse efeito é contratado pelo governo e que se faz acompanhar de outros oficiais para com ele colaborarem no mesmo fim. A um destes últimos – o Príncipe Mecklembourg – Sterlitz – é dado o comando de um dos dez Regimentos de Cavalaria que a nova estrutura criara.

Nasce assím, em 26 de Julho de 1762, na Feitoria de São Julião da Barra, O REGIMENTO DE CAVALARIA DE MECKLEMBOURG, em homenagem, segundo os usos da época, ao seu primeiro comandante.

RC4

Mais tarde, em Maio de 1806, é aumentado o número dos Regimentos de Cavalaria que passam a ser numerados de 1 a 12, cabendo ao Regimento de Meclembourg o número 4.

Com a primeira invasão Francesa, o Gen Junot, cumprindo ordens expressas de Napoleão, apressa-se a desactivar o Exército Português. Para tal cria uma brigada que deverá partir para França enquadrada pelos melhores oficiais portugueses, entre os quais figuravam alguns do Regimento, e decreta a extinção da grande maioria das Unidades existentes.

No entanto em 1808, Junot é obrigado a retirar de Portugal, após a Convenção de Sintra e de novo são reorganizados 12 Regimentos de Cavalaria.

O REGIMENTO DE CAVALARIA Nº4 fica então aquartelado em Belém e, a partir de 1808, passa a fazer parte da 3ª Brigada, do comando do Brigadeiro Conde de Sampaio, preparando-se activamente para a nova invasão que vai dar início à «Guerra Peninsular».

Defendendo as passagens do Vouga, dá o Regimento início a uma serie de acções em que tomou parte até a 1814 – entrou no total de 3 Batalhas, 22 Combates e 2 Defesas – que mereceram os maiores elogios dos comandos superiores e o cobriram de glória.

Aquartelado successivamente em Vila Franca, Carregado e Azambuja, passa a designar-se, em 1831, por 2º REGIMENTO DE CAVALARIA DE LISBOA  e, em 1834, novamente por REGIMENTO DE CAVALARIA Nº4, com quartel em Belém.

No decorrer da Guerra Civil e extinto pela Convenção de Évoramonte, extinção que dura poucos meses, mantendo-se depois successivamente aquartelado em Lisboa (1835), Torres Novas (1836), Santarém (1844), Torres Novas (1846), Santarém (1863), Lisboa (1872).

Entretanto teve novamente oportunidade de mostrar o que valia no decorrer das campanhas de Moçambique – em que acompanhou em muitas acções o seu antigo oficial Mouzinho de Albuquerque e foi merecedor de elogios que atestam o seu valor -, e de Angola onde no Combate de Môngua, se tornou digno de ser condecorado com a Cruz de Guerra que hoje ostenta no seu Estandarte.

Em 1888, por Decreto de D. Luís, passa a designar-se por REGIMENTO Nº4 DE CAVALARIA DO IMPERADOR DA ALEMANHÃ GUILHERME II, sendo este nomeado seu Coronel honorário, situação que se mantem até 1911, passando, em face da reorganização do Exército promovida pela República, a designar-se de novo por REGIMENTO DE CAVALARIA Nº4.

No decorrer da 1ª Guerra Mundial voltou a Cavalaria nº4 a merecer a sua história escrevendo nessa altura os seus homens mais algumas páginas muito honrosas.

O seu aquartelamento passa, depois da Guerra, para Alcobaça (1919) e Santarém (1927) onde, em 1955 é transitoriamente extinto.

RC4

Em 1964 é reorganizado o Regimento de Cavalaria nº4, com base na fusão do Grupo de Carros de Combate do Regimento de Cavalaria nº8 e do Grupo Divisionário de Carros de Combate e o seu aquartelamento fica agora situado em Santa Margarida.

A partir de 1968, o Regimento passa a mobilizar unidades para o Ultramar onde, mais uma vez, estas não deixaram de honrar as tradições a que os dois séculos de existência gloriosa do Regimento as obrigavam e cujo brilhante comportamento é atestado pelos diversos louvores e condecorações que a sua acção mereceu e pelos nomes que se vieram a inscrever nas lápides dos mortos em combate ao serviço da Pátria e deste Regimento.

Em 1993 passa o Regimento a chamar-se por Regimento de Cavalaria nº4.

Herdeiros das glórias e tradições do passado, conscientes dos modernos meios que possuem os homens de Cavalaria de Santa Margarida hão de saber sempre aquilo que um dia Beresford deles disse e que hoje de forma mais simples mas de igual significado, se encontra sintetizado na legenda do Regimento:

«PERGUNTAI AO INIMIGO QUEM SOMOS»

Os Regimentos de Cavalaria

EPC

 

O termo “terço”, já em 1571 tinha um significado análogo a Regimento, como refere Christovam Ayres, na História da Cavalaria Portuguesa. Na verdade esta denominação começa a aparecer na legislação portuguesa em 1632, período do domínio espanhol. Deste modo, em 1707, a Cavalaria Ligeira e os Dragões passaram, em Portugal, a constituir Regimentos de 12 Companhias, como refere o mesmo autor.

Em 1715 a Cavalaria Portuguesa estava organizada em dez Regimentos.

A organização de 19 de Maio de 1806, consequência da derrota de 1801 frente à Espanha e que levou à assinatura da Paz de Badajoz, introduziu várias alterações, aparecendo pela primeira vez a numeração dos Regimentos. A Arma de Cavalaria passa a contar com doze Regimentos numerados de 1 a 12 e repartidos pelas Divisões Norte, Centro e Sul.

rc 6Em Novembro de 1807, Andoche Junot invade Portugal. O Exército é completamente desarmado e a Arma de Cavalaria é reduzida a três Regimentos. A reacção dos portugueses não se fez esperar. A revolta iniciada no Porto alastra rapidamente a todo o Reino. A Junta Provisional do Governo Supremo, formada nesta cidade, determina em 20 de Julho de 1808, que os oficiais e soldados, que não se encontrem legitimamente ocupados, se reunam às Unidades a que pertenciam.

Esta reorganização não originou novos Regimentos, dando, isso sim, continuidade aos existentes antes da invasão de Junot.

A Napoleão não agrada esta situação e, mais uma vez, invade Portugal com uma força sob o comando de Soult, que não obtém sucesso frente às tropas anglo-lusas.

Pela terceira vez, Napoleão tenta conquistar Portugal enviando, em 1810, cerca de 70.000 homens sob o comando de Massena.

A reacção das tropas anglo-lusas faz-se sentir logo no Buçaco, mas Massena, só ao fim de cinco meses de combates é que inicia a retirada, perseguido até Toulouse pelas tropas anglo-lusas, das quais fez parte uma Brigada de Cavalaria composta pelos Regimentos n.º 1, 6, 11 e 12.

Resolvida a questão com os franceses, era necessário reorganizar o Exército, o que vai suceder com o Alvará Régio, dado no Palácio do Rio de Janeiro em 29 de Fevereiro de 1816. Deste modo, a Arma de Cavalaria passa a ser composta por 12 Regimentos, sendo propostos para os Regimentos nº 6, 9 e 12 os Quartéis em Monção, Chaves e Bragança respectivamente, conforme a Ordem do Dia de 21 de Outubro de 1816.

O descontentamento contra a regência inglesa vai aumentando, e forma-se a Junta Provisional do Governo Supremo do Reino, que acaba com ela e com o governo absoluto, organizando, provisoriamente, várias Brigadas do Exército.

regimento de lanceirosA 6ª Brigada de Cavalaria é formada pelos Regimentos nºs 6 e 12 e comandada pelo Brigadeiro António Carlos Cary.

D. Miguel, confiante na sua popularidade, reúne em Vila Franca de Xira as tropas que lhe são afectas e proclama o regime absoluto em Maio de 1823, dando origem a um movimento que veio a ficar conhecido por “Vila Francada”.

D. João VI adere a este movimento, abole a Constituição de 1822 e nomeia D. Miguel General Comandante do Exército.

As ambições de D. Miguel não são satisfeitas com esta nomeação. Em 30 de Abril de 1824, leva a efeito uma acção, conhecida por Abrilada, contra seu pai no intuito de o obrigar a abdicar em seu favor e que não surtiu efeito porque D. João VI contou com a ajuda dos ingleses. Como consequência deste acto, D. Miguel é demitido do Comando do Exército e expulso de Portugal.

Com a morte de D. João VI em 1826, levanta-se o problema da sucessão. D. Miguel regressa a Portugal em 22 de Fevereiro de 1828 e formam-se dois grupos distintos, com interesses bastante diversos. Por um lado os absolutistas, apoiantes de D. Miguel e, por outro, os liberais defensores de D. Pedro.

A situação torna-se cada vez mais complexa e a divisão dos portugueses atinge o próprio Exército.

Por uma comunicação da “Junta Provisória”, encarregada de manter a legítima Autoridade de El-Rei o Senhor D. Pedro IV, feita ao Exército, pela Ordem do Dia n.º 5 de Maio de 1828, podemos constatar que, dos Regimentos de Cavalaria existentes, só os Regimentos nºs 6,9,10,11 e 12 é que tributam obediência a esta Junta.

Em 29 de Maio de 1828, o Exército Liberal conta com uma Brigada de Cavalaria, composta pelos Regimentos nºs 6,9,10 e 12 sob o comando do Coronel de Cavalaria, José António da Silva Torres, mas, logo no ano seguinte, a situação foi alterada.

Pela Ordem do Dia n.º 58 de D. Miguel, é declarado que as forças que tomaram parte na rebelião contra o seu governo se considerassem extintas e que as restantes forças deixassem de ser designados por números, passando a ter o nome das terras onde se encontram sediadas.

RC3No ponto sétimo desta Ordem, D. Miguel ordena que, com os contingentes dos extintos Regimentos de Cavalaria 6,9 e 12, da província de Trás-os-Montes, se forme um Regimento denominado de Regimento de Cavalaria de Chaves.

A alteração da denominação das diversas Unidades não foi efectuada, uma vez que faltou publicar a Ordem indicando os Quartéis permanentes que elas deveriam ocupar, conforme a Ordem do Dia n.º 59 de 19 de Agosto de 1829.

Todavia, pela Ordem do Dia nº 42 de D. Miguel, verificamos que os Regimentos de Cavalaria são designados por números, excepto o Regimento de Cavalaria de Chaves.

O Exército liberal, com o apoio do monarca D. Pedro, adquire cada vez mais força. Assim, por Decreto de 28 de Fevereiro de 1834 é reorganizado, na cidade do Porto, o Regimento de Cavalaria nº 6 que recebe os homens, materiais e animais existentes no Depósito desta cidade. Neste Depósito, estavam colocados todos os militares apoiantes dos liberais que deixaram os seus Regimentos afectos a D. Miguel. Desta forma, os liberais, que possuíam os Regimentos de Cavalaria 10 e 11, aumentam a sua força com mais dois Regimentos, o nº 1 em Lisboa e o nº 6 no Porto.

D. Miguel, depois de duas derrotas sucessivas, em Almoster, a 12 de Fevereiro de 1834, e em Asseiceira, a 16 de Maio de 1834, depõe as armas e assina a Convenção de Évora Monte, em 26 de Maio de 1834, pondo-se fim à Guerra Civil.

Dado que a última Organização do Exército comportava poucas vantagens, surge uma nova Reorganização, em 1837, mais ponderada e mais condizente com a realidade nacional. A Arma de Cavalaria passa a ser composta por oito Regimentos a três Esquadrões, sendo quatro de Lanceiros e quatro de Caçadores. Os Regimentos de Cavalaria nºs 2,4 e 6 vão fornecer os Esquadrões necessários para a formação do n.º 8.

Em 1868, a Arma de Cavalaria passa a ser composta por sete Regimentos, sendo dois de Lanceiros e cinco de Caçadores. Estes Regimentos serão a três ou a quatro Esquadrões.

No ano seguinte, a Ordem do Exército nº 49 de 6 de Outubro de 1869 cria novamente o Regimento de Cavalaria nº 7 com os Esquadrões que tinha em 1868.

Alguns anos depois, o Exército vai sofrer nova reorganização. Assim, por decreto de 1884, a Arma de Cavalaria passa a ser constituída por dez Regimentos, sendo cada um a quatro Esquadrões, três activos e um de reserva.

Com a viragem do século, o Exército é alvo de uma nova Reorganização. Em 1911, para dar cumprimento ao disposto no Decreto de 11 de Junho, o Ministro da Guerra leva a efeito algumas alterações no Exército, que constam da OE nº 14 – 1ª Série de 30 de Junho. No que concerne à Arma de Cavalaria, os Regimentos vão sofrer algumas alterações na sua composição.

rc4Durante o ano de 1926, devido às mudanças políticas operadas em Portugal, o Exército torna a ser novamente remodelado. Mais uma vez, a Arma de Cavalaria sofre algumas alterações. Organizam-se duas Brigadas de Cavalaria a três Regimentos conforme a OE nº 10 – 1ª Série de 31 de Agosto de 1926. Mas, a condicionante económica vai interferir novamente na vida do Exército Português. Assim, em 1927 são supridas algumas Unidades de várias Armas e Serviços (OE nº 7 – 1ª Série de 30 de Junho de 1927).

Durante o período correspondente ao Estado Novo não se verificam alterações de monta na organização e localização dos regimentos.

Em 1974, a Revolução de 25 de Abril, vai provocar grandes transformações na vida dos portugueses. O Exército, como não podia deixar de ser, vai ser remodelado. O decreto-lei nº 181/77 de 4 de Maio (OE nº 5 – 1ª Série de 31 de Maio de 1977) considera que a sua remodelação tem por objectivo fundamental torná-lo numa força eficiente e apta para desempenhar a sua missão, tendo em conta as capacidades económicas do País.

A inserção de Portugal na Comunidade Europeia; a constatação de que segurança passou a ser, e tende cada vez mais a ser, uma acção colectiva, aliada ao facto da esmagadora maioria dos Exércitos dos Países Europeus procurarem reduzir os seus efectivos, deram origem a que, através do decreto-lei nº 50/93 de 28 de Fevereiro, o Exército sofresse nova reorganização. Esta reorganização visava conferir versatilidade, modernidade e capacidade de resposta eficiente às missões que lhe estão cometidas e foram norteadas pela racionalização, economia e maior rentabilidade dos meios existentes. O Exército, através das actividades de recrutamento, instrução e treino, constitui um corpo gerador de forças que, sem prejuízo da manutenção de um sistema permanente de reduzida dimensão, possuirá grande mobilidade, prontidão e flexibilidade, capaz de crescer por mobilização. No que se refere às unidades de Cavalaria, apesar da redução de algumas unidades, a implantação territorial não sofreu alterações significativas.