Direcção da Arma de Artilharia

ARMA ARTILHARIA

ARMORIAL: JORGE GUERREIRO VICENTE
ILUMINURA: JOSÉ ESTÉVENS COLAÇO
Aprovação: “Portaria” 6 de Novembro de 1981
Publicação das Armas:
Ordem do Exército nº 2/1982 (1ª Série) – pp. 71-73

ARMAS:
ESCUDO: de vermelho, dois canhões antigos de ouro passados em aspa, acompanhados de três granadas flamejantes do mesmo, uma em chefe e uma em cada um dos flancos.
ELMO: militar de prata, forrado de vermelho, a três quartos para a dextra.
CORREIA: de vermelho perfilada de ouro.
PAQUIFE E VIROL: de vermelho e de ouro.
TIMBRE: uma palma e uma espada, ambas de ouro, passadas em aspa, a palma em banda e a espada em barra; brocante uma torre coberta de negro lavrada de ouro com três frestas em pala iluminadas de vermelho.
DIVISA: num listel de prata, ondulado, sotoposto ao escudo, em letras de negro, maiúsculas, de estilo elzevir: “O CÉU, A TERRA E AS ONDAS ATROANDO”.
GRITO DE GUERRA:  num listel de prata, ondulado, sobreposto ao timbre, em letras de negro, maiúsculas, de estilo elzevir: “EFICÁCIA! FOGO!”.

SIMBOLOGIA:
OS CANHÕES: Representam a Arma de Artilharia
AS GRANADAS FLAMEJANTES: Aludem ás três áreas específicas de actuação da Artilharia: campanha, costa e anti-aérea
A TORRE E A PALMA: Simbolizam santa Bárbara, uma vez que são os seus atributos mais significativos e que sempre acompanharam a sua representação
A ESPADA: Simboliza o poder e o domínio sobre o Império do Fogo dado por Deus a Santa Bárbara, poder invocado pelos Artilheiros para os favorecer e proteger no emprego da pólvora e no uso dos seus canhões

SIGNIFICADO DOS ESMALTES:
OURO: Poder e Potência
VERMELHO: Valor e Firmeza
NEGRO: Prudência e Sabedoria

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SÍNTESE:

A Direcção da Arma de Artilharia foi criada em 1926 em Lisboa. É herdeira das tradições militares dos seguintes orgãos:
– Comando geral de Artilharia. com origem na comissão permanente de Artilharia – 1849 Lisboa. Extinto em 1899.
– Direcção de Artilharia, com origem na Direcção Geral do serviço de Artilharia 1899 Lisboa. Extinto em 1911.
A Direcção da Arma de Artilharia foi extinta efectivamente a 30 de Setembro de 1994

A ARMA DE ARTILHARIA
(Pelo Armorial do Exército Português)

Quanto aos Portugueses, está muito vulgarizada a opinião de que a Artilharia pirobalística, veio pela primeira vez ao conhecimento da nossa gente em 14 de Agosto de 1385, na batalha de Aljubarrota, onde o seu emprego nos surpreendeu. Trata-se de um erro que tudo impõe seja corrigido. Em 1370, Ciudad Rodrigo, que alçara voz pelo nosso D. Fernando (então pretendente à coroa castelhana, que disputava a Henrique II de Castela), tinha uma guarnição mista de tropas castelhanas e Portuguesas.
Henrique de Trastâmara, em face da importância estratégica daquela praça, veio pôr-lhe cerco. Os defensores usaram então de engenhos (neurobalísticos) para o repelir. Foi esta a primeira vez que os portugueses tiveram contacto com a nova arma, que os seus camaradas de guarnição utilizavam. Em 1381, quando D. João I de Castela cercou Lisboa, já na defesa da capital foram pelos portugueses usados os trons, bem como pelos navios da armada britânica do Conde de Cambridge, vinda em socorro da forças portuguesas e que fundeara em Sacavém, apresentando ao inimigo, como diz Fernão Lopes na sua crónica, “as alcacevas contra o mar armadas e pavezadas percebidas de trons nas torres da proa”. Em 1384, quando o Mestre de Avis foi cercar Torres Novas e Alenquer, que estavam por D. Leonor Teles, mandou levar de Lisboa para ali algumas bocas de fogo.

Os primeiros exercícios de Artilharia, no polígono de vendas Novas Foto: Boletim da EPA 2006
Os primeiros exercícios de Artilharia, no polígono de Vendas Novas
Foto: Boletim da EPA 2006

A surpresa que os trons em Aljubarrota provocou teria sido simplesmente por serem utilizados como Artilharia de Campanha, e isso sim, foi a primeira vez que aconteceu em  Portugal. Até então eram usados na defesa e no cerco das praças e nos navios, isto é como artilharia de posição, de guarnição e naval.

Em Portugal, até D. Afonso V, foram usados simultaneamente os antigos engenhos e a nova artilharia, aparecendo pela primeira vez a de bronze. Aqueles só deixaram de ser usados no reinado de D. João II.

A primeira organização da artilharia Portuguesa data do reinado do Africano, em que é criado o cargo de Vedor da Artilharia e publicado o respectivo regimento por carta régia de 13 de Abril de 1449.

Polígono da EPA  Exercícios de Tiro (1888-1891) Foto: Boletim EPA 2006
Polígono da EPA
Exercícios de Tiro (1888-1891)
Foto: Boletim EPA 2006

Em Portugal a Artilharia toamou logo, desde D. João I, grande desenvolvimento. Com D. Afonso V e D. João II a fundição de artilharia tornou-se muito intensa. Atraídos por pingues remunerações, vieram para Portugal bons técnicos estrangeiros – os bombardeiros -, verdadeiros engenheiros fundidores e, ao mesmo tempo, artilheiros. Nos séculos CV e XVI não tinha ainda a feição militar actual. Os bombardeiros eram mesteirais. Contratavam-se como quaisquer outros homens de ofício. No entanto as necessidades em pessoal adestrado eram cada vez maiores. daí o conceder-se-lhes grandes privilégios. Até D. Manuel, as bocas de fogo fundidas nas tercenas (arsenais) de Portugal, não tinham asas nem argolas (arganéus) para passar cordas. Foi neste reinado que estes apareceram. Com D. sebastião surgem as asas com feitio de golfinho, que entre nós se mantiveram durante larguíssimo tempo. Até aqui o serviço das bocas de fogo era feito pelos bombardeiros.

5 Outubro 1910
5 Outubro 1910

Durante todo o longo decurso dos descobrimentos e da conquista a Artilharia ocupou em Portugal posição de alto relevo. Foi devido à sua abundância e qualidade que as armadas Portuguesas mantiveram longamente a soberania nos mares. Para isso também muito contribuiu a nómina, essa feliz instituição manuelina que nos garantia a existência de 100 bombardeiros nacionais e residentes em Lisboa, bombardeiros a quem o venturoso cumulou de privilégios. Data esta instituição, de 25 de Janeiro de 1515.

Em Portugal a Artilharia ia acompanhando os progressos feitos pela dos outros países. Por decreto de 28 de Dezembro de 1640 era criada a Tenência, a cargo da qual ficava a direcção, exames e inspecção de todo o material de guerra: armas, pólvora, artilharia, etc. A nómina foi restaurada por decreto de 13 de maio de 1641 com 300 bombardeiros. Para elevar a nossa artilharia ao nível que a guerra exigia foi criado então um novo organismo, o trem, sendo o primeiro existente o do Alentejo, que provia o exército e as praças de guerra daquela província de tudo quanto respeitasse  à Artilharia.
Embora este organismo não possuísse características essencialmente militares, o trem toma já um certo carácter dessa natureza, excepto quanto ao pessoal e ao gado para a condução das viaturas, que continuam a ser fornecidos pela casa real e pelas grandes casas nobres, ou contratados entre boleeiros e almocreves.

O século XVII é pois um século de transição entre os bombardeiros, homens de ofício, e os artilheiros, puramente militares. Em Portugal a Artilharia foi posta em pé de igualdade com a Cavalaria e a Infantaria por decreto de 13 de Outubro de 1669. É ainda neste século que surge o armão, isto é um jogo dianteiro, amovível, ao qual se engatam os animais de tracção e que facilmente se separa do sistema reparo-peça. Com este melhoramento surgiria a breve trecho a artilharia montada.

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Em Portugal o pessoal vai sendo cada vez mais militarizado com a organização dos troços, iniciada no último quartel do século XVII, em consequência da pouca concorrência dos alistamentos voluntários na nómina. Os troços eram já uma espécie de regimentos, com os seus oficiais, divididos em esquadras. O primeiro que se constitui é o dos artilheiros para o serviço do mar (alvará de 4 de Junho de 1677). Seguiu-se o dos Artilheiros do troço do Alentejo, que por provisão de 22 de Dezembro de 1689, devia contar 200 artilheiros. Por decreto de 29 de Novembro de 1701 é organizado outro em Lisboa, com 500. Estes troços eram uma das unidades mistas de engenharia e artilharia, pois neles havia companhias de artilheiros, de bombardeiros (para o serviço dos morteiros), de barcas (pontoneiros) e de mineiros (sapadores), as de Artilharia já com o seu capitão, ajudante, condestáveis e artífices ou engenheiros de fogo. O pessoal era constituido por gente dos diferentes ofícios. Em 1702 os Artilheiros portugueses começam a vestir uniforme, a princípio apenas constituído pelo casaco (Decreto de 23 de Setembro de 1702). Em 1708 é estabelecida a organização regimental com a transformação em Regimento do troço do Alentejo, aquartelado em Estremoz ou de Bastos, derivado do nome do seu comandante, Pedro de Bastos.

Ficaram no entanto nas várias fortificações e praças de guerra, artilheiros avulsos, de características civis, chamados pés de castelo para serviço exclusivo da artilharia dessas obras.

Em 1764 a tenência passou a denominar-se Arsenal Real do Exército. Ficaram subsistindo os trens, em várias localidades, que funcionavam como pequenos arsenais. A preparação científica foi também muito melhorada com a criação das academias regimentais e depois com o colégio dos Nobres, a academia Real de Fortificação, Artilharia e Desenho e a Escola Politécnica.

Também a Artilharia de montanha, com as suas ligeiras bocas de fogo decomponíveis em várias partes para poderem ser carregadas a dorso de solípedes, passou a ter bastante aplicação nos terrenos de difícil acesso (montanhosos, sem vias de comunicação transitáveis, cortados de ravinas, etc).

A Artilharia separa-se entretanto da Engenharia, com a criação de corpos especiais desta arma.
Em Portugal com a criação do corpo de engenheiros por Decreto de 12 de Outubro de 1812, as companhias de barcas e de mineiros, deixaram de fazer parte dos Regimentos de Artilharia

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Coube a Portugal a honra de ter sido o percursor da Artilharia motorizada, com a aquisição em 1903, da bateria de posição de 15 cm Scheider- Canet- Bocage, de tracção mecânica, cujo estudo se deve ao Coronel de Engenharia Carlos Roma du Bocage.

Os foguetes foram utilizados desde tempos muito remotos até ao século XII, para lançamento do fogo Grego. Em 1796, o Sargento-Mor Jerónimo José Nogueira de Andrade inventou um foguete carregado com misto incendiário e provido de Farpa para fixar aos objectivos. Os foguetes ocuparam o lugar de destaque na segunda guerra mundial.

A Artilharia de Costa não fica atrás das outras modalidades. Divide-se em dois ramos: Artilharia de defesa próxima e Artilharia contra bombardeamento, esta última para bater com poderosos projécteis  de rotura e a longa distância as maiores unidades navais couraçadas.

Actualmente a Artilharia está dividida em dois grandes ramos: a clássica, ou convencional, como já é conhecida a Artilharia pirobalística de até há pouco tempo, e a Artilharia dirigida atómica e termonuclear, que diariamente apresenta novos progressos.

Última Actualização:
14 de Maio de 2016