Arma de Infantaria

01. Arma Infantaria

ARMORIAL: JORGE GUERREIRO VICENTE
ILUMINURA:
PUBLICAÇÃO DAS ARMAS: “Portaria”, 1981, Abril, 10 in OE, 1981, 1.ª série, n.º 7, pp. 361-363

ARMAS:
ESCUDO – de prata, uma besta de vermelho e, encochada, uma xara do primeiro armada do segundo.
ELMO militar  de prata, forrado de vermelho, a três quartos para a dextra.
CORREIA – de vermelho perfilada de ouro.
PAQUIFE E VIROL de prata e de vermelho.
TIMBRE – uma cruz florenciada e vazia de vermelho, ladeada de duas asas estendidas de prata.
DIVISA – num listel de prata, ondulado, sotoposto ao escudo, em letras de negro, maiúsculas, de estilo elzevir:
“DAS BATALHAS A RAINHA”.
GRITO DE GUERRA – num listel de prata, ondulado, sobreposto ao timbre, em letras de negro, maiúsculas, de estilo elzevir:
“AO ASSALTO CARREGAR”

SIMBOLOGIA:
A BESTA: Engenhoso avanço no armamento de antanho, permitiu à personagem ganhar importância que se salientou de combate em combate, deixando cada vez mais pertencer ao passado o seu emprego estático, que aguardava firme e estoicamente o embale do inimigo, vertendo generosamente o seu sangue em denudado corpo a corpo;
Agora empunhando a besta, o infante impõe ao inimigo, desde mais longe, a sua vontade expressa na XARA sibilante, que despede no momento que a sua tensa determinação escolhe e lhe dá iniciativa geradora da movimentação no campo de batalha, onde continua, quando necessário a fincar-se tenaz e valorosamente enraizado, como a rústica e bravia esteva, numa gestas. a que se imortalizou em Aljubarrota e deu jus a que a Infantaria viesse a tornar-se Rainha das Batalhas.
No Timbre, o VÔO e a CRUZ VAZIA dos Pereiras, em preito a D. Nuno, que no seu acrisolado patriotismo, espírito de bem servir, abnegação, bravura, engenho e humildade, bem simboliza as qualidades da Infantaria de quem é patrono.

SIGNIFICADO DOS ESMALTES:
PRATA: a humildade no servir e a riqueza da sua entrega total
VERMELHO: a bravura na acção e a determinação do seu querer.

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A INFANTARIA

A INFANTARIA é a mais antiga Arma do Exército constituí uma força militar preparada para actuar em qualquer situação: paz, crise ou conflito, em qualquer tipo de terreno e sob quaisquer condições meteorológicas. Os SOLDADOS de INFANTARIA Deslocam-se a pé ou em viaturas de rodas ou de lagartas, podendo ser também transportados ou lançados por meios aéreos.
A INFANTARIA, inclui também militares das chamadas Forças Especiais sejam: (Comandos, Rangers e Paraquedistas).

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DIA DA ARMA DE INFANTARIA 

O Dia da Infantaria Portuguesa é comemorado a 14 de Agosto, aniversário da Batalha de Aljubarrota ocorrida em 1385, e em que foi consagrado o Infante como elemento decisivo do combate e a Infantaria como Rainha das Armas.

Na madrugada de 14 de Agosto, as forças portuguesas sob o comando do Rei D. Jo­ão I e do Condestável Nun’ Álvares Pereira, fizeram alto a norte de Aljubarrota, dispostas a fechar aos castelhanos o caminho em direcção a Lisboa. As forças Portuguesas ficaram voltadas para Leiria ten­do sido divididas em quatro corpos: a Vanguarda (comandada por Nun’ Álvares), a Retaguarda (comandada por D. João I), a Ala Di­reita, a que chamaram a «ala dos namorados» (comandada por Mem Rodrigues e Rui Mendes de Vas­concelos) e a Ala Esquerda, composta principalmente de auxilia­res estrangeiros (comandada por Antão Vasques e João de Mont Ferrate). Naquela posição, iriam enfrentar e derrotar as tropas castelhanas, em muito maior número.

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14 de Agosto de 2013 Comemorações do Dia da Arma de Infantaria do 126º Aniversário da Escola Prática de Infantaria, a Casa Mãe de todos os Infantes

 

DIRECÇÃO DA ARMA DE INFANTARIA

A Direcção da Arma de Infantaria foi criada em Lisboa em 1926. É herdeira das tradições dos seguintes orgãos:

– Comando Geral da Arma de Infantaria, com origem na comissão Consultiva de Infantaria Lisboa 1863 e extinto em 1899

– Direcção de Infantaria, com origem na Direcção Geral dos Serviços de Infantaria – Lisboa 1901 e extinta em 1911.

SÍNTESE:

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A Infantaria Portuguesa remonta aos primeiros tempos da fundação de Portugal. Numa época constantes confrontos entre as várias forças que dominavam a península Ibérica »a personagem» (isto é: os peões, ou infantes, combatentes a pé) desempenhava um papel de relevo sobretudo no cerco e defesa de praças fortes.

O recrutamento de peões para a »hoste real» fazia-se principalmente através dos forais que ligavam o rei aos conselhos. Pelos forais, em troca de benefícios de ordem política (autonomia local), os conselhos ficavam obrigados a preparar para a hoste real uma determinada quantidade de gentes de armas, peões e cavaleiros vilãos.

O aperfeiçoamento da Besta ou “arbaleta” verificado no decorrer do século XIII, conferiu aos infantes uma importância cada vez maior nos combates. No reinado de D. Dinis foram instituídos os besteiros do conto (assim chamados por usarem bestas e serem em número fixo – contados – por cada concelho).
Os besteiros formavam o escol da Infantaria, sendo equiparados em privilégios à cavalaria, ao passo que mais abaixo, na escala social, se situavam os arqueiros, fundibulários e piqueiros.

A preocupação de D. Dinis em melhorar a estrutura militar traduziu-se em diversas reformas, na criação de altos cargos militares (fronteiro-mor, alferes-mor, fronteiro, almogáver, almocadém, adail) e na revisão do recrutamento. O próprio Rei D. Dinis escreveu um tratado ou regimento de milícias, mais tarde aproveitado para base do “Regimento da Guerra” das ordenações Afonsinas.

As Comemorações do Dia da Arma de Infantaria e do 125º Aniversário da sua Escola Foto: Azimute nº 194
As Comemorações do Dia da Arma de Infantaria
e do 125º Aniversário da sua Escola
Foto: Azimute nº 194

As reformas prosseguiram  no século XIV com a reformulação da organização militar ainda do reinado de D. Fernando I. Este rei havia regulado a prestação do serviço militar obrigatório pelas Ordens Gerais de 1373. data deste reinado a constituição do primeiro núcleo de infantaria regular, a besteria do conto.

Entretanto, a evolução das tácticas militares conduziu a um declínio da Cavalaria, face à afirmação da artilharia e da Infantaria, que começaram a usar a pólvora.  A batalha de Aljubarrota em 1385, onde se rechaça o invasor castelhano, constituiu um marco fundamental não só da história nacional, mas também da própria história militar: nela, a Infantaria demonstrou o decisivo papel que lhe cabe no resultado final dos confrontos.

Esta nova importância da Infantaria reflecte-se na preocupação do Mestre de Aviz, D. João I, em reorganizar o recrutamento de besteiros. Estes passavam a servir sob o comando geral do anadel-mor, cujo o ofício então se criou. D. Duarte, segundo rei da dinastia de Aviz, deu seguimento à política de seu pai: o Regimento dos Coudéis regulamentava com minúcia as obrigações de cada súbdito em cada província, mantendo-se a distinção entre os besteiros, mais privilegiados, e os simples peões. No reinado do rei eloquente, surgiram também os primeiros infantes com armas de pólvora: os espingardeiros.

O conjunto de legislação que organizava o exército real, foi condensado no Regimento da Guerra das Ordenações Afonsinas, cuja compilação foi iniciada na regência do Infante D. pedro e terminada no reinado de D. Afonso V.

Com a expansão ultramarina, a Infantaria tomou parte na construção e dilatação do Império em África, na Ásia e na América. O desenvolvimento das armas de fogo levou à organização dos espingardeiros sob o comando de um anadel-mor (à semelhança do que já existia para os besteiros), e à introdução do arcabuz, do mosquete e dos respectivos arcabuzeiros e mosqueteiros. No entanto continuaram a ser usadas muitas armas brancas, como a lança, a espada, o pique, a alabarda e a partazana. decaindo o uso das bestas e dos arcos.

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Navio “Vera Cruz” Fotografia: Mael Manecas

A Infantaria teve um Papel predominante durante a Guerra Colonial Portuguesa (1961-1974) conhecida por Guerra do Ultramar
Durante o século XX, as Forças Armadas Portuguesas, recuperaram a histórica designação de CAÇADORES com características mais ou menos semelhantes às dos antigos caçadores

A designação “caçadores” foi abolida do Exército Português em 1975, altura em que os batalhões de caçadores ainda existentes foram extintos ou redesignados por: “BATALHÕES DE INFANTARIA” ou “REGIMENTOS DE INFANTARIA”.

O Batalhão de Caçadores n.º 5 (BC 5) continuou a existir formalmente até 1988, mas apenas como um órgão para apoio administrativo às comissões liquidatárias das regiões e comandos militares em extinção.
Hoje em dia (2016) o Regimento de Infantaria n.º 19 (RI19) em Chaves mantém-se como a única unidade resultante da transformação de um antigo Batalhão de Caçadores.

Foto: Azimute nº 195

A crescente centralização régia, sensível sobretudo a partir do reinado de D. João II, conduziu à instauração do Exército permanente. D. Manuel I e D. João III, reduzindo o alcance do serviço militar obrigatório, criaram as companhias de ordenanças. Foram então extintos os besteiros do conto.

 

As primeiras grandes organizações militares gerais do Reino datam do reinado de D. Sebastião. As reformas Sebásticas  instituíram o sistema de ordenanças e procederam ao levantamento sistemático das capacidades bélicas do Reino. Nasce então a Infantaria moderna, sofrendo a influência das doutrinas de Gonçalo de Córdova, o “Grande Capitão”. A unidade básica da Infantaria passava a ser o terço, de 6000 homens, comandado por um Coronel, dividido em doze companhias, comandadas por capitães. Os terços compreendiam piqueiros e arcabuzeiros, tornando-se rapidamente no tipo de unidade militar mais eficaz da sua época.

Durante a ocupação Filipina (1580-1640), todos os incrementos levados a cabo por D. Sebastião caíram no esquecimento, já que os Reis Espanhóis pretendiam o enfraquecimento do Exército Português. Após este interregno, com a Restauração da Independência em 1640 retomaram-se todas as reformas sebásticas, ampliando-as.

D. João IV, criou em 1640 o conselho de guerra, órgão supremo de comando do exército nacional. O intenso esforço de guerra ao longo de vinte r oito anos levou à constituição de um sistema trinitário de organização do exército: ordenanças, milícias e exército de linha. Durante o conflito, o Conde de Castelo Melhor contratou os serviços do príncipe de Schomberg, que estruturou o exército segundo as novas doutrinas de Turenne e Gustavo Adolfo da Suécia.

Os novos terços de Infantaria contavam com aproximadamente 2000 homens repartidos em dez companhias; a percentagem das armas de fogo tornava-se cada vez mais importante aumentando o número de mosqueteiros.

Em 1707, no reinado de D. João V, foram organizados os Regimentos de Infantaria (Fuzileiros e Granadeiros), que vieram substituir os terços. A estada do Conde de Lippe em Portugal (1762-63) trouxe ao nosso exército uma estrutura sólida, bem como um código de honra militar decisivo para a formação dos militares até aos nossos tempos. Já no século XIX a Infantaria dividiu-se em Regimentos e Batalhões, de Infantaria e Caçadores.

No século XX e apesar das novas tecnologias e da existência da Força Aérea, a Infantaria continua a desempenhar um papel cabal nos confrontos armados. Só ela permite a ocupação efectiva do terreno, cabendo-lhe portanto a decisão final de qualquer confronto Militar.

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